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Sobe para 72 o número de migrantes do Marrocos mortos em tentativa de entrar em Ceuta
Sobe para 72 o número de migrantes do Marrocos mortos em tentativa de entrar em Ceuta
Maioria retornou em 48 horas, segundo autoridades; papa pede solução pacífica para crise
Por Folhapress
02/08/2026 às 12:00
Atualizado em 02/08/2026 às 12:31
Foto: Reuters
Quase 60 mil pessoas invadiram o território espanhol no norte da África
Pelo menos 72 pessoas morreram durante uma tentativa de entrada em massa em Ceuta, informou neste domingo (2) o governo local. O episódio ocorreu em meio a uma crise migratória sem precedentes, que levou dezenas de milhares de pessoas ao enclave espanhol, situado no norte da África, vizinho ao Marrocos.
A maioria das quase 60 mil pessoas que entraram no exclave da Espanha já retornou ao Marrocos.
O novo balanço foi feito pelo delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano. O número anterior era de 67 mortos.
A polícia e as tropas espanholas patrulharam as ruas de Ceuta neste domingo, enquanto o enclave retorna à normalidade após o fluxo repentino de migrantes procedentes do Marrocos. Poucos migrantes continuam no exclave.
O episódio desencadeou uma crise internacional para a Espanha. Vários aliados europeus criticaram Madri por suas políticas favoráveis à regularização de migrantes.
O papa Leão 14 fez uma breve referência neste domingo à crise em Ceuta, durante a bênção do Angelus. "Sigo com preocupação a alarmante situação em Ceuta. Pedindo a Deus, por meio da intercessão de Nosso Senhor da África, que se possam encontrar soluções de paz, de estabilidade e de justiça."
Pequenas embarcações infláveis de uma unidade de resgate monitoram neste dominfo as águas ao redor de uma nova cerca fronteiriça que avança pelo mar Mediterrâneo. A barreira de 500 metros, com boias, foi instalada no sábado para reforçar a segurança.
A Espanha atribuiu a crise a grupos criminosos que divulgaram boatos de que uma recente sentença do Supremo Tribunal do país sobre imigração facilitaria a entrada dos migrantes.
Alguns analistas sugeriram que o governo do Marrocos pode ter permitido a travessia dos migrantes para exercer pressão diplomática sobre a Espanha, que recentemente melhorou suas relações com a vizinha Argélia, rival de Rabat.
O governo marroquino não fez nenhuma declaração sobre a crise.
A União Europeia anunciou uma reunião por videoconferência na terça-feira (4), depois que 22 membros do bloco publicaram uma carta aberta e pediram uma resposta rápida, coordenada, para evitar novas entradas descontroladas de migrantes sem documentos.
A Itália suspendeu o acordo de Schengen com a Espanha, que permite a livre circulação sem visto entre fronteiras, a partir do sábado, com validade de um mês.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou, em uma carta aos líderes da UE, a reação "egoísta" de alguns países do bloco.
