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Ronaldo Caiado compara anistia a Bolsonaro a anulação de sentenças de Lula pelo STF
Ronaldo Caiado compara anistia a Bolsonaro a anulação de sentenças de Lula pelo STF
Presidenciável falou à Rede Globo em programa especial sobre as eleições de 2026
Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress
25/08/2026 às 22:15
Foto: Reprodução/TV Globo
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, comparou nesta terça-feira (25) uma anistia ampla e geral aos golpistas do 8 de Janeiro à anulação de sentenças por corrupção do presidente Lula (PT).
A fala se deu na Rede Globo, em programa especial sobre as eleições de 2026 com Renata Vasconcellos e César Tralli, do Jornal Nacional.
Caiado afirmou que vai dar uma anistia geral e irrestrita aos golpistas como forma, segundo ele, de pacificar o país.
O goiano ressaltou nunca ter contestado o resultado de eleições e se disse democrata, mas falou que "o traço do brasileiro não é de construir o ódio", citando outras anistias que ocorreram no país como justificativa para perdoar golpistas do 8 de Janeiro. Ele citou como exemplo anistia concedida pelo presidente Juscelino Kubitschek, nos anos 1950.
Segundo ele, a anistia seria o mesmo que o ocorrido nas condenações de Lula. Por isso, afirmou que vai encaminhar um projeto de perdão amplo, "da mesma maneira que, de uma forma especial, o Supremo também concedeu ao presidente Lula".
O petista não foi anistiado pelo STF, que anulou as condenações por identificar nulidades nos processos da Operação Lava Jato, em 2021.
Na entrevista à Globo, Caiado foi questionado sobre medidas na economia, mas não respondeu diretamente aos jornalistas se vai alterar a idade das aposentadorias e nem como vai fazer ajuste fiscal. "Não tenho condição de detalhar minúcias."
Segundo o candidato , a intenção é atrelar as despesas públicas para que elas sejam, no máximo, 50% do PIB (Produto Interno Bruto), corrigida a inflação. Ele afirma que vai fazer isso via emenda a ser encaminhada no primeiro dia de governo.
O presidenciável também voltou a defender seu programa de segurança, com a criação de uma polícia com países vizinhos do Brasil, que ele chamou de SulPol, aos moldes da Europol, agência da União Europeia para a cooperação policial. "Vou propor com presidentes de países limítrofes que prisões sejam feitas", afirmou.
Ele também voltou a criticar o governo Lula no combate ao narcotráfico, dizendo que o PT é conivente com o crime.
Ao final da entrevista, Caiado também pediu ao STF que abra o sigilo dos casos do INSS e do Banco Master para que o eleitorado não seja "surpreendido" na eleição neste ano.
Caiado é o segundo a ser entrevistado pelo programa, que começou na segunda-feira (24), com Romeu Zema (Novo). Também foram convidados outros quatro presidenciáveis que pontuam melhor nas pesquisas, com a ordem dos programas definidas por sorteio.
Na quarta-feira (26), a sabatina é com Renan Santos (Missão) e, na quinta-feira (27), com o presidente Lula (PT). Flávio Bolsonaro (PL) fala na sexta-feira (28), seguido por Augusto Cury (Avante) no sábado (29).
No último Datafolha, o goiano marcou 5% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Lula e 33% de Flávio Bolsonaro, seus principais concorrentes. Renan Santos fez 4%, Romeu Zema, 3% e Augusto Cury (Avante), 2%.
Zema, Eduardo Leite e Ratinho Júnior
Na manhã desta terça, em evento da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Caiado negou que o PSD esteja negociando com Zema para que o mineiro desista da candidatura para apoiá-lo.
"De maneira alguma existe qualquer fala nesse sentido. Eu respeito o meu colega —o ex-governador de Minas Gerais, Zema— e não existe nenhuma conversa nesse sentido", disse Caiado.
Ao jornal Folha de São Paulo a campanha do mineiro também negou o rumor, atrelado à desistência do ex-governador de participar no debate presidencial da Band, no domingo (23). "Não faz sentido. Chance zero disso acontecer [desistir da candidatura]", afirmou a assessoria.
Também na ABDIB, Caiado afirmou que vai adotar estratégia na propaganda eleitoral para demonstrar que tem "muito a mostrar e nada a esconder", a fim de convencer o eleitor a votar nele, não em Flávio Bolsonaro, o representante da direita com mais intenção de voto.
"Não estou envolvido em rachadinha, não estou envolvido em petrolão, não estou envolvido em INSS, não estou envolvido em assalto pelo Banco Master. Sou uma pessoa que, realmente, tenho condições reais de poder mostrar para o Brasil que [a próxima eleição] é o grande divisor de águas", afirmou em referência a Flávio e Lula.
Já na segunda (24), durante evento em São Paulo, o goiano afirmou que quer levar os governadores Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, para sua gestão como presidente. Segundo Caiado, ambos os políticos, que disputaram com ele a vaga de presidenciável pelo PSD, "são exemplo" de governantes.
"Eduardo Leite estará comigo governando o país, você pode ter certeza disso. Isso não é questão de compromisso com ele, é questão de bom senso em avaliar o que ele fez no Rio Grande do Sul e com as dificuldades que ele enfrentou com cinco períodos de estiagem, com enchentes", disse.
Caiado também afirmou que Leite "estará governando ao meu lado. Eu não abro mão da presença dele, muito menos do Ratinho, que são dois governantes que são exemplo hoje do que fizeram nos seus estados. Eles estarão comigo no governo".
