Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Quem é o senador cujos parentes são alvos da PF em nova fase de investigação sobre fraudes no INSS
Quem é o senador cujos parentes são alvos da PF em nova fase de investigação sobre fraudes no INSS
Por Folhapress
04/08/2026 às 12:00
Foto: Geraldo Magela/Arquivo/Agência Senado
Weverton Rocha
Um dos parlamentares mais influentes do Senado, com proximidade tanto com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), quanto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Weverton Rocha (PDT-MA) voltou ao centro das investigações sobre fraudes no INSS nesta terça-feira (4), após a Polícia Federal cumprir mandados de busca contra parentes do parlamentar e o advogado Willer Tomaz em uma nova fase da Operação Sem Desconto.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e mira pessoas ligadas ao senador, que já foi alvo de busca e apreensão do mesmo inquérito em dezembro. São cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
Weverton Rocha ocupa uma cadeira no Senado desde 2019, após ser eleito pelo Maranhão com apoio do então governador Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Em 2022, rompeu com o antigo aliado para disputar o governo do estado, mas foi derrotado por Carlos Brandão (PSB).
O senador foi procurado na manhã desta terça para comentar sobre a operação ligada a seus parentes, mas não se manifestou.
Nos últimos anos, tornou-se um dos parlamentares de maior influência no Congresso. Alcolumbre costuma lhe atribuir relatorias consideradas sensíveis, como a do projeto da nova Lei do Impeachment e da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF. Também participou das articulações do governo para reduzir o desgaste entre Lula e o comando do Senado.
As investigações sobre as fraudes no INSS, porém, colocaram o senador sob pressão. A Polícia Federal já o apontou como possível beneficiário final e sócio oculto do esquema e chegou a pedir sua prisão. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, negou o pedido, assim como a Procuradoria-Geral da República não defendeu a medida.
Nesta terça, a Polícia Federal cumpriu novos mandados de busca contra parentes do senador e pessoas ligadas a ele, em uma etapa da investigação voltada à apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, há indícios de movimentações financeiras e patrimoniais atípicas e suspeita de que empresas, contas bancárias de terceiros, pessoas físicas e operações em dinheiro vivo tenham sido usadas para ocultar a origem e o destino dos recursos relacionados ao esquema.
O senador também é citado em depoimentos e requerimentos da CPI do INSS por sua relação com o empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado pela PF como um dos operadores do esquema e que teria recebido R$ 53,58 milhões de entidades associativas e de intermediárias e repassado R$ 9,32 milhões a servidores e empresas ligadas à cúpula do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Em janeiro, a Folha revelou que um ex-funcionário de Antunes afirmou à Polícia Federal que uma filha de Weverton viajou em um avião do empresário. A mesma testemunha disse que, após a deflagração da Operação Sem Desconto, Antunes afirmou que estaria tranquilo por contar com o apoio do senador. A defesa do empresário contestou o depoimento. Weverton afirmou, em janeiro, que o relato não foi considerado pela Procuradoria por falta de materialidade e negou qualquer vínculo financeiro entre sua família e os investigados.
Outro ponto levantado nas investigações é a relação de pessoas ligadas ao senador com o caso. Weverton empregou em seu gabinete Adroaldo Portal, que depois se tornou secretário-executivo do Ministério da Previdência, e apoiou a indicação de André Fidelis para a Diretoria de Benefícios do INSS. Ambos foram presos em fases anteriores da operação. Um ex-assessor do senador, Gustavo Gaspar, também foi alvo da investigação.
Em dezembro do ano passado, quando foi alvo da PF, o senador admitiu que conheceu Antônio Carlos Camilo Antunes em um churrasco realizado em sua casa e que os encontros posteriores trataram apenas da regulamentação de produtos à base de cannabis para fins medicinais. O senador negou participação no esquema.
