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PF indicia seis em segundo inquérito sobre descontos ilegais em aposentadorias no INSS
PF indicia seis em segundo inquérito sobre descontos ilegais em aposentadorias no INSS
Relatório será enviado ao STF
Por Raquel Lopes/Constança Rezende/Folhapress
06/08/2026 às 20:45
Atualizado em 06/08/2026 às 20:45
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/Arquivo
Ex-presidente do instituto Alessandro Stefanutto foi novamente indiciado
A Polícia Federal concluiu mais um inquérito sobre os descontos indevidos no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e indiciou seis pessoas por inserção de dados falsos em sistema de informações e organização criminosa.
Entre os indiciados estão ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral da instituição Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Paulo Félix Fidelis.
Os três já haviam sido indiciados pela PF na conclusão do primeiro inquérito sobre o caso. Também foram indiciados Thaisa Daiane, Edjane Rodrigues e Aristides Veras dos Santos.
Essa etapa da investigação teve como foco a atuação da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) por supostos desvios em aposentadorias e pensões do INSS.
O relatório final da corporação foi encaminhado nesta semana ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, relator do caso, na última sexta-feira (10).
Em nota, a defesa de Stefanutto disse que, até o presente momento, não teve acesso aos autos do inquérito nem à íntegra da manifestação da Polícia Federal que resultou no novo indiciamento divulgado pela imprensa.
"Sem conhecimento dos fundamentos da medida, seria incompatível com o exercício responsável da defesa antecipar manifestação sobre fatos, conclusões ou elementos probatórios que ainda não foram submetidos ao contraditório", disse.
Os advogados do ex-presidente do INSS também afirmaram que Stefanutto jamais praticou qualquer ato ilícito no exercício de suas funções públicas e que mantém plena convicção de que a análise integral dos autos demonstrará a inexistência de conduta criminosa que lhe possa ser atribuída.
"É importante destacar que o indiciamento constitui ato próprio da fase investigativa e não representa condenação, tampouco afasta a garantia constitucional da presunção de inocência", diz a nota. As demais defesas ainda não responderam os pedidos feitos pela reportagem.
Das entidades investigadas, a Contag é a que mais tem descontos em benefícios do INSS, com 1,3 milhão de pessoas. Seu acordo com o INSS é o mais antigo, iniciado na década de 1990.
Um documento do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) recebido pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS apontou que a Contag movimentou cerca de R$ 2 bilhões entre maio de 2024 e maio de 2025, sendo R$ 1 bilhão em créditos e R$ 1 bilhão em débitos, aproximadamente.
Na ocasião, a entidade afirmou que todos os recursos movimentados teriam origem identificada e são registrados em conformidade com as obrigações legais e fiscais da entidade e que essa sistemática é transparente, contínua e devidamente registrada.
Também disse ter mais de 60 anos de existência, que representa milhões de trabalhadores e trabalhadoras rurais em todo o Brasil e que sua estrutura é nacional, com federações e sindicatos filiados em todos os estados.
Em julho, a PF concluiu o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto com 48 indiciamentos relacionados ao caso da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais).
Esta etapa da investigação se concentra apenas em descontos realizados pela Conafer e não envolve outros personagens que foram alvo da investigação, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger.
