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Jornalista autista Pedro Mendonça lança candidatura a deputado federal pelo PDT
Jornalista autista Pedro Mendonça lança candidatura a deputado federal pelo PDT
Por Redação
13/08/2026 às 11:21
O jornalista Pedro Mendonça, de 30 anos, lançou sua candidatura a deputado federal pelo PDT nas eleições deste ano
O jornalista Pedro Mendonça, de 30 anos, lançou sua candidatura a deputado federal pelo PDT nas eleições deste ano. Autista com nível 1 de suporte, ele pretende levar ao Congresso Nacional uma experiência que conhece não apenas como estudioso ou defensor da causa, mas por fazer parte dela.
Nascido e residente em Salvador, Pedro, que vai disputar a primeira eleição, é formado em Jornalismo, atua na área de comunicação e também realiza palestras. Ele afirma que decidiu entrar na política depois de um processo de amadurecimento pessoal e profissional e da percepção de que poderia transformar sua própria experiência em contribuição para outras pessoas e suas famílias.
“Antes eu não me sentia preparado. Acompanhava a política como jornalista, focado nos estudos e na profissão. Com o tempo, fui amadurecendo, debatendo os problemas do dia a dia e percebendo que também poderia contribuir. Hoje me sinto preparado para colocar minha experiência, minha formação e minha capacidade de trabalho a serviço das pessoas”, afirma.
Uma das principais bandeiras de Pedro será a inclusão das pessoas com deficiência e neurodivergentes, especialmente em áreas como educação, qualificação profissional, acesso ao mercado de trabalho e cumprimento dos direitos já previstos na legislação.
O tema alcança milhões de brasileiros. O Censo 2022 identificou, pela primeira vez, as pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista no país. Segundo o IBGE, 2,4 milhões de brasileiros declararam ter diagnóstico de TEA realizado por profissional de saúde, correspondendo a 1,2% da população.
Para Pedro, porém, sua relação com essa parcela da população é diferente daquela de um político que simplesmente decide abraçar uma causa. “Eu não quero falar sobre o autismo como alguém que observa essa realidade de fora. Eu faço parte dela. Sou autista e conheço essa experiência na minha própria vida. Quero usar essa vivência, junto com minha formação e meu trabalho, para ajudar a construir políticas públicas melhores".
Pedro defende que a sociedade precisa avançar da simples identificação das limitações para o reconhecimento das capacidades e potencialidades de cada pessoa. “Ser diferente não significa ser incapaz. Podemos ter dificuldades e necessidades diferentes, mas isso não elimina nossa capacidade física, intelectual ou profissional. Com oportunidade, respeito e inclusão, podemos estudar, trabalhar, produzir, criar, empreender e contribuir para a sociedade", frisa.
O candidato afirma que uma de suas prioridades será justamente aproximar os direitos existentes da realidade das famílias. Segundo ele, o Brasil já possui legislação importante sobre inclusão, mas ainda existe uma distância entre aquilo que está previsto na lei e aquilo que acontece nas escolas, universidades, empresas e serviços públicos.
Na educação, Pedro pretende defender melhores condições para que estudantes com diferentes necessidades possam desenvolver suas capacidades. No mercado de trabalho, quer ampliar o debate sobre qualificação e oportunidades para pessoas neurodivergentes, evitando que um diagnóstico seja interpretado previamente como incapacidade.
Pedro cita como uma das referências internacionais mais conhecidas a trajetória da cientista e professora norte-americana Temple Grandin, autista cuja história foi retratada no premiado filme "Temple Grandin", lançado em 2010. A produção ajudou a tornar conhecida mundialmente a trajetória de uma mulher que, apesar das barreiras enfrentadas, construiu uma relevante carreira acadêmica e profissional.
Para ele, exemplos como esse não significam que todas as pessoas autistas tenham as mesmas características ou necessidades. Ao contrário, o espectro reúne pessoas muito diferentes entre si, inclusive quanto à necessidade de suporte. “Cada pessoa é única. Algumas precisarão de muito mais apoio do que outras, e o poder público precisa estar preparado para todas elas. O que não podemos fazer é estabelecer antecipadamente até onde alguém poderá chegar simplesmente por causa de um diagnóstico".
Pedro também pretende dar atenção às famílias, que, segundo ele, convivem diretamente com as dificuldades de acesso a diagnóstico, acompanhamento, educação, inclusão social e oportunidades profissionais. Ele pretende desenvolver a campanha principalmente em Salvador, além dos municípios de Itabuna e Itapé, no sul da Bahia. Para ele, sua candidatura também carrega uma mensagem sobre participação e representatividade.
“Não quero ser eleito simplesmente porque sou autista. Quero ser avaliado pela minha capacidade, pelas minhas ideias e pelo trabalho que posso realizar. Mas quero que uma criança ou um jovem autista possa olhar para alguém ocupando um espaço de decisão e perceber que um diagnóstico não precisa determinar antecipadamente o seu futuro", conclui.
