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Casos Master, Dark Horse, INSS e Lulinha atravessam campanhas e põem holofotes sobre PF e tribunais

Casos Master, Dark Horse, INSS e Lulinha atravessam campanhas e põem holofotes sobre PF e tribunais

Por Folhapress

23/08/2026 às 14:31

Imagem de Casos Master, Dark Horse, INSS e Lulinha atravessam campanhas e põem holofotes sobre PF e tribunais

Campanhas de Flávio e de Lula lidam com as consequências dos casos Dark Horse e Lulinha

Para além da disputa de votos, as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principais candidatos à Presidência, se dedicam a ajustes de rota para ora contornar, ora explorar investigações, decisões e escândalos que atravessam o xadrez eleitoral neste ano.

Fora do alcance dos candidatos, ações da Polícia Federal e de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), assim como antigas tensões entre os Poderes, têm sido as maiores responsáveis pelas movimentações do tabuleiro, que pendeu primeiramente a favor do petista e mais recentemente em benefício de Flávio.

Até agora, cada oponente se viu no centro de ao menos um escândalo com origem em investigações da PF autorizadas por ministros do STF. Em maio, foram reveladas pelo Intercept Brasil as mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro sobre o filme "Dark Horse", que amarraram o bolsonarista ao caso do Banco Master.

Neste mês, a Folha mostrou que a PF investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeita de tráfico de influência por atuar ao lado da lobista Roberta Luchsinger em busca de contratos com o governo federal. Ela é investigada também por sua conexão com o chamado Careca do INSS, de outro caso ruidoso, o dos descontos fraudulentos nas aposentadorias, do qual a campanha petista quer distância.

A PF também apura pagamentos de Roberta ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

O baque, nas duas situações, foi sentido em sondagens internas das campanhas. Para auxiliares de Lula e Flávio, o receio é que novos capítulos envolvendo Lulinha e Vorcaro afetem a pequena parcela de eleitores indecisos (2%, segundo o mais recente Datafolha), já que a maioria consolidada de petistas e bolsonaristas parece não se abalar.

A influência de investigações no resultado das urnas não é algo novo, sobretudo para políticos de diferentes alas que viveram a eleição de 2014 em meio a operações da Lava Jato e que concordam no diagnóstico de que o STF cresceu desde então. O equilíbrio entre os Poderes é uma das principais pautas no pleito deste ano.

Boa parte do imponderável nesta campanha está nas mãos do ministro André Mendonça, o "terrivelmente evangélico" escolhido por Jair Bolsonaro (PL) e por isso visto com simpatia pela direita e suspeição pela esquerda. Mendonça é relator do caso Master e de dois dos três inquéritos que miram Lulinha —o terceiro está com Flávio Dino, considerado aliado do PT.

O último movimento de Mendonça foi pedir a investigação de vazamentos do inquérito das fraudes do INSS, atendendo a um pedido da defesa de Lulinha.

No caso da Polícia Federal, sob o comando de Andrei Rodrigues, a desconfiança vem da direita, que aponta vazamentos seletivos no caso Master. Flávio Bolsonaro chegou a optar por não usar a escolta oferecida pela corporação aos presidenciáveis, preferindo a segurança da Polícia do Senado.

Na outra ponta, a defesa de Lulinha também aponta vazamentos seletivos da corporação e cobra ação do governo federal para enquadrar o que chamam de "esculhambação" para prejudicar a campanha do PT.

O embate de atribuições entre o TSE, comandado pelo ministro Kassio Nunes Marques, e o STF, notadamente a ala fiel a Alexandre de Moraes, também movimenta a campanha em um ponto crucial, a divulgação de vídeos deepfake feitos com inteligência artificial —assunto que ainda será julgado pela corte eleitoral.

Como mostrou a Folha, Kassio, indicado por Bolsonaro, é criticado internamente por supostamente acenar a teses defendidas por Flávio, como a licitude de deepfake do ex-presidente exibida na convenção do PL. Moraes, por sua vez, sugeriu numa decisão que o caso poderia levar à inelegibilidade de Flávio, o que foi visto por membros do TSE como uma interferência.

Para o entorno de Flávio, Moraes é a principal peça do jogo eleitoral. O ministro é responsável pelas decisões a respeito da prisão de Bolsonaro e proibiu as visitas do filho ao pai. Após a decisão, em julho, Flávio afirmou que Moraes interferiu na eleição ao proibi-lo de ver Bolsonaro. A acusação vinha sendo feita bem antes disso —em abril o senador disse em plenário que o ministro iria tentar desequilibrar as eleições a partir de sua atuação no STF, como teria feito à frente do TSE em 2022.

Inimigo declarado do bolsonarismo, Moraes ainda foi chamado por Flávio de articulador político de Lula por ter sediado, em sua casa, uma reunião entre o presidente e o chefe do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para aproximá-los.

Além do Banco Master, também assombram a classe política nesta eleição as investigações a respeito de emendas parlamentares, a cargo de Flávio Dino. Integrantes da direita afirmam que ameaças do STF nessas duas frentes ajudaram a afastar o apoio formal do centrão a Flávio, que ficou isolado sem coligações.

As interferências e disputas de interesses que marcam as eleições de 2026, definidas por candidatos como um campo minado, tiveram consequências práticas para as campanhas, a começar pela centralidade do embate contra a corrupção.

Flávio vem sendo cobrado por adversários a prestar contas do dinheiro recebido por Vorcaro para bancar o filme Dark Horse enquanto escolheu um vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), talhado para ampliar o desgaste de Lula com os casos Lulinha, Marcola e INSS.

Do outro lado, petistas viram frustrado o plano de colar a corrupção no adversário, tema que terão de enfrentar novamente após a Lava Jato e o mensalão. Lula contra-ataca tentando se diferenciar de Bolsonaro ao dizer que seu filho precisa provar sua inocência e que não vai interferir na PF para protegê-lo.

O mesmo cenário se repete em estados como Rio de Janeiro, Roraima e Maranhão. O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Douglas Ruas (PL), pretendia concorrer ao cargo de governador já ocupando o posto, mas o ministro Luiz Fux manteve o desembargador Ricardo Couto no cargo.

Em Roraima, uma disputa aberta entre o STF e o TSE travou a definição do resultado da eleição suplementar para o governo feita em junho. Já no Maranhão, decisões de Dino, ex-governador do estado, miram aliados do atual governador, Carlos Brandão (MDB), seu desafeto.

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