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Rafael Greca desiste de candidatura a governador do Paraná e apoiará grupo de Ratinho Junior
Rafael Greca desiste de candidatura a governador do Paraná e apoiará grupo de Ratinho Junior
Em terceiro lugar nas pesquisas, ex-prefeito de Curitiba será candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo PSD
Por Catarina Scortecci/Folhapress
31/07/2026 às 19:15
Foto: Divulgação/PSD
Rafael Greca (MDB) e Sandro Alex (PSD) durante anúncio da aliança para o Governo do Paraná
O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) anunciou nesta sexta-feira (31) que desistiu da candidatura ao cargo de governador do Paraná para apoiar o grupo de Ratinho Junior (PSD), que tem o deputado federal Sandro Alex (PSD) como pré-candidato ao Executivo.
Greca vai integrar a chapa como candidato a vice-governador.
Com uma fatia de 12% das intenções de voto na última pesquisa da Genial/Quaest, o emedebista vinha sendo cortejado por concorrentes, mas até aqui mantinha o discurso de que não desistiria.
O isolamento do MDB teria pesado na decisão. Greca caminhava sem outros partidos na chapa e aliados reconhecem pouca estrutura para manter uma campanha competitiva até as urnas.
O PSD já conseguiu uma aliança com o PP e o União Brasil, além do Republicanos. Já o PL do senador Sergio Moro fechou com o partido Novo de Deltan Dallagnol e com o Podemos, hoje sob o comando da família Francischini, que até pouco tempo caminhava com Ratinho Junior. O deputado estadual Requião Filho, do PDT, se uniu ao PT.
Greca conseguiu fazer um sucessor na Prefeitura de Curitiba na disputa de 2024, quando ainda estava filiado ao PSD, e depois foi abrigado em uma secretaria do governo paranaense, já de olho na possibilidade de se lançar ao Palácio Iguaçu em 2026.
Mas o primeiro obstáculo surgiu logo no início do ano, quando ficou claro que ele não tinha a preferência de Ratinho Junior para entrar como cabeça de chapa na eleição. Em março, ele saiu do PSD e foi para o MDB, confirmando a pré-candidatura a governador.
Dentro do PSD, houve demora na escolha de um nome. Sandro Alex, que ocupava a Secretaria de Infraestrutura da gestão Ratinho Junior, foi alçado a pré-candidato em abril e gerou surpresa até mesmo entre correligionários, já que outros nomes do grupo estavam cotados.
Desde então, Ratinho Junior trabalha na pré-campanha de Sandro Alex, mas os números das pesquisas até aqui têm gerado apreensão no grupo. Levantamento da Quaest divulgado na segunda-feira (27) mostra Sandro Alex com 7% das intenções de voto, atrás de Greca (12%), Requião Filho (18%) e Moro (39%).
Na tentativa de fortalecer a campanha do aliado, Ratinho Junior primeiro convidou Cristina Graeml a se filiar ao PSD, dando espaço a ela na chapa majoritária, como vice de Sandro Alex ou como concorrente a uma das vagas ao Senado.
Afinada com o bolsonarismo, Graeml era aliada de Moro quando ambos estavam no União Brasil, mas o senador migrou para o PL, em uma costura que já dava ao deputado federal Filipe Barros (PL) e ao ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) as duas vagas na chapa para concorrer ao Senado.
Depois da filiação de Graeml ao PSD, o governador voltou a insistir no convite a Greca, que agora cedeu. O acordo, contudo, abriu um conflito em torno do excesso de nomes interessados no Senado.
O MDB já havia lançado o nome de Alvaro Dias como pré-candidato da sigla ao Senado. Por outro lado, o grupo de Ratinho Junior já trabalhava com dois nomes: o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), que já foi anunciado pelo governador como pré-candidato ao Senado, e Graeml, que agora deve reivindicar o espaço que resta na majoritária, já que o vice será Greca.
Alvaro não estava presente no ato desta sexta, que anunciou a aliança entre MDB e PSD. Curi e Graeml também estavam ausentes. Na saída do evento, na sede do MDB em Curitiba, Greca foi questionado pela reportagem se Alvaro ainda era o pré-candidato do MDB, mas o ex-prefeito desconversou.
"O Alvaro Dias é uma das pessoas mais importantes para um projeto consistente nesta eleição. Como ele queira vir para a eleição, seja como meu apoiador, seja como senador, é muito bom e enche meu coração de alegria", respondeu o ex-prefeito.
Greca também evitou responder à imprensa nesta sexta ao ser questionado sobre uma eventual resistência ao nome de Graeml na chapa. Da direita radical, Graeml é um nome que não agrada uma ala do MDB e do PSD identificada com a direita tradicional.
Nas eleições de 2024, Graeml e o então candidato do PSD, Eduardo Pimentel, fizeram uma disputa acirrada no segundo turno pela Prefeitura de Curitiba, com troca de acusações de lado a lado. Agora na cadeira de prefeito da capital, Pimentel foi um dos principais articuladores da reaproximação de Greca com o grupo de Ratinho Junior.
