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Proposta de Flávio de adiar tarifaço para depois das eleições é inaceitável, diz Caiado
Proposta de Flávio de adiar tarifaço para depois das eleições é inaceitável, diz Caiado
Por Marcos Hermanson/Folhapress
08/07/2026 às 12:30
Foto: Zeca Ribeiro/Arquivo/Câmara dos Deputados
Ronaldo Caiado
A proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de adiar as tarifas até depois das eleições presidenciais é inaceitável, afirmou nesta quarta-feira (8) o ex-governador de Goiás e pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD).
"Você vê falhas de um candidato –e com todo o respeito a ele, do Flávio– em se colocar também numa sessão nos Estados Unidos e dizer que adie a tarifação a partir da eleição", disse Caiado em evento da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília. "É inaceitável isso. Você tem que estar dentro de um jogo para saber qual é o peso e o significado do país."
Flávio argumentou, em documento enviado ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que o tarifaço do ano passado foi utilizado politicamente pelo governo Lula (PT) e pediu que a aplicação de novas taxas seja adiada, pelo menos, até depois das eleições de modo a evitar um novo bônus político ao presidente.
"As tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que defendem uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos", disse Flávio, pré-candidato do PL à Presidência.
Após enviar esse dossiê, Flávio participou, na terça-feira (7), de audiência pública promovida pelo USTR –que é o órgão responsável pelas investigações comerciais que propuseram novas tarifas de 37,5% às exportações brasileiras– e repetiu o argumento, dizendo que agora seria o pior momento para implantar novas taxas.
Em sua fala no evento da CNC, Ronaldo Caiado ainda criticou o que seria uma postura ideológica da chancelaria brasileira, o Itamaraty, e disse que o Brasil sofre pressões simultâneas dos EUA, da China e da Europa –citando barreiras regulatórias europeias, as cotas chinesas e o tarifaço americano.
"Hoje os americanos nos ameaçam com 25% pela seção 301. [Com] a União Europeia acabamos de fazer o acordo [UE-Mercosul] e disseram: 'estamos enxergando um uso de antibiótico fora dos padrões e cancelaremos as importações de carne'", afirmou. "Aí vem a China e diz: 'vocês já atingiram a cota. A partir de agora vocês têm que pagar 55% mais 12,5%."
