Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,5% para julho
Por Nicola Pamplona/Folhapress
01/07/2026 às 12:20
Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil
Sede da Petrobras
A Petrobras reduziu em 14,5% o preço do QAV (querosene de aviação) para vendas em julho. Foi o segundo corte consecutivo, acompanhando a acomodação das cotações internacionais do petróleo após a escalada provocada pela guerra no Irã.
Segundo a estatal, a redução corresponde a uma queda de R$ 0,81 por litro de QAV. O combustível representa parcela relevante dos custos das companhias aéreas e sua alta após a guerra levou a diminuição no número de voos.
No ano, o QAV ainda acumula alta de 40,5% nas refinarias, o equivalente a R$ 1,39 por litro, segundo a Petrobras. Em abril, logo após o início do conflito no Oriente Médio, a estatal subiu o preço do combustível em 55%, mas ofereceu ao mercado um parcelamento.
Logo depois, o governo decidiu zerar os impostos federais sobre o produto. Ofereceu ainda duas linhas de crédito no valor de R$ 9 bilhões para o setor, e prorrogação, para dezembro, das tarifas de navegação da FAB (Força Aérea Brasileira) referentes aos meses de abril, maio e junho.
A Petrobras é a principal fornecedora de QAV no país. Ela entrega o produto distribuidoras, que vendem a companhias aéreas por meio de bases instaladas em aeroportos. A empresa Vibra (ex-BR Distribuidora) lidera as vendas ao consumidor final, com uma fatia de 60% do mercado.
"Importante ressaltar que o mercado brasileiro é aberto à livre concorrência, não havendo restrições legais, regulatórias ou logísticas para que outras empresas atuem como produtoras ou importadoras de QAV", disse a Petrobras em nota.
O mercado brasileiro vem apresentando crescimento acelerado desde a pandemia. Nos cinco primeiros meses de 2026, o volume de vendas cresceu 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
A queda das cotações internacionais levou o governo a rever subsídios criados para reduzir a alta dos combustíveis após o início da guerra. Nesta terça (30), o Ministério da Fazenda anunciou o fim de desconto de R$ 0,35 por litro no diesel.
A alta no custo será absorvida pela Petrobras, que anunciou redução de mesmo valor no preço de venda do combustível por suas refinarias -mesmo que ainda opere com elevada defasagem em relação às cotações internacionais.
Em entrevista na terça, representantes da pasta afirmaram que outros subsídios, como o da gasolina e os R$ 1,12 por litro ainda vigentes no diesel, serão revistos de forma gradual.
