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Paulo Pimenta completa 100 dias no cargo sem se reunir com líderes da base de Lula

Paulo Pimenta completa 100 dias no cargo sem se reunir com líderes da base de Lula

Por Estadão Conteúdo

18/07/2026 às 10:59

Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil

Imagem de Paulo Pimenta completa 100 dias no cargo sem se reunir com líderes da base de Lula

Paulo Pimenta

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) completa cem dias à frente da liderança do governo na Câmara nesta semana sem fazer uma reunião sequer com os líderes de partidos da base. Governistas reclamaram à Coluna do Estadão que chegam nas reuniões semanais com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), sem saber pelo que “brigar” e deixam os correligionários sem orientação em plenário.

Procurado, Pimenta disse ter “relação ótima com todos os líderes” e com Motta. “Não tivemos nenhum item de divergência na base desde que eu assumi a liderança do governo”, afirmou. Leia a íntegra da nota ao final da reportagem.

Segundo deputados da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que inclui o PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede - era comum na gestão de seu antecessor, José Guimarães, que as legendas governistas se encontrassem antes da reunião de líderes da Câmara para definir a posição do governo em votações em plenário e nas comissões. O que, segundo eles, nunca ocorreu desde que Pimenta assumiu, em abril deste ano.

Parlamentares ouvidos pela Coluna afirmam que o gaúcho é um líder “ausente do plenário” e que não dá orientações para as demais legendas, o que deixa os partidos “vendidos” ou desarticulados.

Apontam ainda que o jeito “briguento” de Pimenta, ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), é “o perfil certo para o cargo errado”. Ressaltam, por exemplo, a atuação positiva do petista como membro da CPMI do INSS, onde pôde fazer defesas acaloradas do governo Lula. “O Paulo é feito para a briga, não para a conversa”, afirmou um dirigente partidário.

Ausências em comissões

Um dos exemplos de falta de unidade da base de Lula aconteceu na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, no fim de maio, quando os deputados trataram da redução da maioridade penal para 16 anos. Como mostrou a Coluna, enquanto a direita compareceu em peso à reunião da CCJ, não havia petistas na sala, e uma única deputada do PSOL, Talíria Petrone (RJ), discutiu o tema pela esquerda.

O projeto que criminaliza a misoginia, que acabou adiado por Hugo Motta após pressão de lideranças religiosas, também foi citado como exemplo de articulação bagunçada. No mesmo dia em que a proposta foi engavetada, parlamentares da direita aprovaram, na Comissão de Segurança Pública, uma emenda que na prática descriminaliza a misoginia, em uma sessão com alto comparecimento do PL, mas poucos integrantes da base de Lula.

A emenda aprovada, de autoria do deputado Capitão Alden (PL-BA), diz que não configuram crime “a manifestação de opinião, convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política, desde que não constitua incitação direta e inequívoca à violência ou à prática de discriminação vedada por esta Lei”.

Paulo Pimenta assumiu a liderança do governo há três meses, quando José Guimarães deixou o posto para virar ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) a pedido do presidente Lula. A SRI é responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso. Guimarães substituiu Gleisi Hoffmann na pasta, que deixou o cargo para ser candidata ao Senado.

Leia abaixo a nota do deputado Paulo Pimenta:

“Tenho uma relação ótima com todos os líderes e com o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta. Não tivemos nenhum item de divergência na base desde que eu assumi a Liderança do Governo. Ao contrário, fizemos um balanço nessa semana e foi unanimidade que o ambiente é o melhor de todos os tempos. Não teve nenhum item polêmico na base desde que assumi”.

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