Lula não irá às posses dos novos presidentes de Peru e Colômbia
Segundo interlocutores do Planalto, líder brasileiro prioriza agenda doméstica a poucos meses da eleição
Por Manoella Smith/Folhapress
21/07/2026 às 18:45
Atualizado em 21/07/2026 às 18:38
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará das cerimônias de posse dos presidentes eleitos do Peru, Keiko Fujimori, e da Colômbia, Abelardo de la Espriella.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pela reportagem, Lula não tem viagens internacionais previstas no momento e, a poucos meses da eleição presidencial, a prioridade do governo é concentrar a agenda no Brasil.
A ausência de Lula também ocorre em um momento de mudança no tabuleiro político da América do Sul. Com as vitórias de Keiko e de Espriella, ambos de direita, o Brasil passa a ser o único grande país da região governado por um presidente de esquerda.
A Assembleia-Geral das Nações Unidas, que ocorrerá em setembro, em Nova York, deverá ser o próximo compromisso internacional do petista.
Segundo o Itamaraty, o ministro Mauro Vieira representará o presidente brasileiro na posse de Keiko, que ocorrerá na próxima terça-feira (28) em Lima. A pasta ainda não definiu quem enviará para a posse colombiana, prevista para 7 de agosto.
Espriella quer realizar o ato em um complexo militar, e o atual presidente, Gustavo Petro, diz que não permitirá a mudança —a legislação do país estabelece que a cerimônia aconteça no Congresso, localizado em Bogotá.
Ainda não está claro qual será o resultado do cabo de guerra. A troca de poder na Colômbia está sendo marcada por desavenças após Espriella anunciar a suspensão do processo de transição em resposta à recusa de Petro a aceitar o resultado do pleito.
O ultradireitista derrotou o candidato apadrinhado por Petro, Iván Cepeda, por uma margem mínima. O presidente de esquerda fez acusações de fraude, sem apresentar provas, mimetizando um movimento até então encabeçado por líderes de direita como Jair Bolsonaro (PL), no Brasil, e Donald Trump, nos Estados Unidos.
Política populista de direita e filha do ditador peruano Alberto Fujimori, Keiko venceu as eleições peruanas por uma diferença de apenas 0,27 ponto percentual em relação ao deputado de esquerda Roberto Sánchez, que também questionou o processo.
Lula parabenizou os dois candidatos de direita após os respectivos anúncios oficiais dos resultados eleitorais. No caso de Espriella, o petista afirmou que a relação entre o Brasil e a Colômbia "transcende ideologias" e é fundamental para enfrentar desafios comuns aos dois países, mencionando a preservação da Amazônia e o combate ao crime organizado.
Esta será a primeira vez que Espriella, que construiu sua imagem pública em torno de seu sucesso financeiro, exercerá um cargo público. Durante a campanha, o advogado desprezou a classe política, adotou a camisa da seleção como símbolo para compor o seu discurso nacionalista e prometeu linha dura na segurança pública.
As eleições na Colômbia e no Peru seguiram a tendência ultradireitista de El Salvador, Argentina, Equador e Chile. O resultado praticamente isola Lula na região.
De países na América do Sul relevantes para a política internacional alinhados ao petista sobram Uruguai, governado por Yamandú Orsi desde 2025, e Venezuela, embora sua força em fóruns internacionais seja limitada. Além disso, Caracas está sob tutela dos Estados Unidos desde o ataque de Washington ao país para depor e capturar o ditador Nicolás Maduro.
