Indiciados no caso 'Abin paralela' seguem em postos de comando do órgão
Por Gabriela Echenique, Folhapress
13/07/2026 às 16:05
Foto: Agência Brasil/Arquivo
Fachada da entrada da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), no Setor Policial Sul, em Brasília
Indiciados no caso "Abin paralela" há mais de um ano, dezenas de servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) seguem em postos de comando e com acesso a informações sensíveis.
Em junho de 2025, a PF (Polícia Federal) concluiu as investigações e indiciou mais de 30 pessoas. Entre elas, o atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, o chefe de gabinete dele, Luiz Carlos Nóbrega e o corregedor-geral do órgão, José Fernando Chuy. Eles permanecem nas funções e com acesso a informações de Estado.
Em março, a diretoria da Abin exonerou a então diretora do departamento de Gestão de Pessoas, Isabel Gil. Ela era responsável pela área de recursos humanos, processos disciplinares e gestão de conflitos.
O indiciamento da PF ocorreu após a corporação apontar ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a atual direção da Abin, já no governo Lula, realizou ações que interferiram no andamento das investigações.
Após a operação, o governo federal demitiu o diretor-adjunto do órgão de inteligência, Alessandro Moretti.
O processo estava parado há um ano com o procurador-geral da República, Paulo Gonet. No mês passado, Gonet pediu ao ministro Alexandre de Moraes o envio do caso à primeira instância.
O caso da "Abin paralela" começou no governo Bolsonaro após a identificação de que os servidores da agência usavam um software, o First Mile, para rastreio irregular da localização de adversários do governo.
A primeira operação contra os suspeitos do caso ocorreu há dois anos e oito meses. Na época, seis servidores da Abin foram afastados dos cargos. Um deles já se aposentou e outro pediu exoneração.
Passados 32 meses, ao menos três servidores da agência continuam recebendo salário mesmo sem trabalhar.
A coluna questionou a Abin sobre o pagamento de salário aos servidores afastados e a manutenção de indiciados em postos de comando.
A agência respondeu que "cumpre decisão judicial e não se manifesta sobre processo em curso".
