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Flávio Bolsonaro cobra governo Lula por sobretaxa da China sobre carne brasileira
Flávio Bolsonaro cobra governo Lula por sobretaxa da China sobre carne brasileira
Por Guilherme Matos / Estadão Conteúdo
11/07/2026 às 08:20
Foto: Carlos Moura / Agência Brasil
O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirma que o governo Lula é responsável por um novo risco às exportações de carne bovina brasileira. Segundo ele, o país está prestes a sofrer uma sobretaxa de 55% da China sobre os embarques que ultrapassarem a cota anual.
Somada à tarifa de 12% já cobrada dentro da cota, a taxação pode chegar a 67% sobre o volume excedente, de acordo com Flávio.
"Será que o Lula também vai dizer que eu sou responsável pelas tarifas da China?", afirmou o senador nesta sexta-feira, 10, em vídeo publicado nas redes sociais. Ele também prometeu "lutar contra as tarifas de qualquer país".
Flávio Bolsonaro participou, no início da semana, de audiência pública do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) em Washington sobre a investigação de práticas comerciais do Brasil. O painel discutia a proposta de Donald Trump de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Na ocasião, o senador pediu o adiamento das taxas para depois das eleições.
Flávio procura se descolar da pecha de "Tariflávio". Ele foi responsabilizado pelas tarifas, anunciadas dias depois de encontro entre o pré-candidato e o presidente americano.
As taxas às quais Flávio se referiu no vídeo desta sexta-feira estão associadas a uma cota que, segundo a StoneX (rede global de serviços financeiros), já está praticamente esgotada. Segundo levantamento da empresa publicado na segunda-feira, 6, o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota chinesa de importação de carne bovina até junho, de um total de 1,106 milhão de toneladas permitidas no ano.
A China implementou esta cota de toneladas para proteger sua produção interna. Até o volume limite anual aplica-se uma tarifa de 12%. Acima desta quantidade, incide a sobretaxa mencionada por Flávio.
De janeiro a junho, o país exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, volume 16% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Parte desse avanço foi puxada justamente pela pressa dos exportadores em embarcar dentro do limite anual, já que o processo de internalização da carne na China leva entre 45 e 60 dias - o que os levou a antecipar remessas para garantir espaço dentro da cota.
Com isso, a StoneX projeta uma queda significativa nas exportações brasileiras para a China ao longo do terceiro trimestre.
"No Brasil, o principal impacto deve ser sentido na oferta doméstica. Com a redução temporária dos embarques para a China, parte da produção que seria destinada ao mercado externo tende a ser redirecionada para outros países compradores ou permanecer no mercado interno", afirma a empresa.
"Os próximos meses devem ser marcados por um ajuste nas exportações brasileiras e pela redistribuição da oferta entre mercado interno e outros destinos. No entanto, a perspectiva de retomada das compras chinesas a partir da nova cota mantém o país como principal vetor de demanda para a carne bovina brasileira", explica Juliana Torres Santiago, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
A StoneX, porém, não relaciona o esgotamento da cota a uma suposta falha de negociação do governo brasileiro. Segundo a consultoria, o movimento decorre de uma dinâmica do mercado: os exportadores anteciparam embarques para garantir espaço dentro do limite anual.
