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Chefe da campanha de Flávio diz que proibir visitas a Bolsonaro é 'interferência no jogo político'
Chefe da campanha de Flávio diz que proibir visitas a Bolsonaro é 'interferência no jogo político'
Por Isadora Albernaz, Folhapress
13/07/2026 às 17:47
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Arquivo
O senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado Federal
O coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta segunda-feira (13) que a proibição de visitas de Flávio a Jair Bolsonaro (PL) é uma "clara interferência no jogo político" e uma tentativa de deixar o ex-presidente incomunicável.
A decisão foi tomada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes após Flávio descumprir a medida cautelar que impede Bolsonaro de usar redes sociais, diretamente ou por terceiro, ao divulgar nas redes sociais uma carta do pai no sábado (11).
Segundo Marinho, que também é líder da oposição no Senado, a medida é autoritária e desproporcional.
"A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição", disse, em nota à imprensa.
O senador ainda comparou o tratamento dado ao presidente Lula (PT) durante sua prisão na superintendência da Polícia Federal em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato, e citou a decisão da Justiça italiana que negou a extradição de Carla Zambelli (PL-SP) por considerar o julgamento da ex-deputada no STF parcial.
"O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais", disse Rogério Marinho.
"Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento [...] Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa", completou.
A carta por escrito de Bolsonaro foi lida por Flávio durante transmissão nas redes sociais e também compartilhada em foto após uma visita ao pai, que atualmente cumpre, em casa, a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Na decisão, Moraes determina que Flávio não poderá visitar o pai por 90 dias. O prazo se encerrará em 11 de outubro –ou seja, antes do primeiro turno das eleições, que será realizado em 4 de outubro.
A restrição deve ter impacto sobre a pré-campanha do senador. Com isso, Flávio ficará sem ter contato direto com o pai até o primeiro turno, o que pode dificultar a articulação de decisões de sua pré-candidatura e de palanques do bolsonarismo.
Em nota, o advogado da pré-campanha de Flávio Bolsonaro Tracy Reinaldet afirmou que a decisão de Moraes é ilegal e inconstitucional e que a equipe tomará medidas para revertê-la, "sempre respeitando as instituições".
"Desde a proclamação da Constituição de 1988, deixar o preso incomunicável sempre foi visto pelo Supremo Tribunal Federal como algo inconstitucional. No entanto, a decisão de hoje aproxima o Presidente Jair Bolsonaro da incomunicabilidade", diz o comunicado.
