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Ataques ao rosto de mulheres são tentativa de apagar identidades e exigem resposta mais dura do Estado, diz Ireuda Silva
Ataques ao rosto de mulheres são tentativa de apagar identidades e exigem resposta mais dura do Estado, diz Ireuda Silva
Por Redação
06/07/2026 às 10:47
Foto: Divulgação/Arquivo
Ireuda Silva
Os recorrentes casos de violência contra mulheres em que o rosto das vítimas é o principal alvo evidenciam uma tentativa deliberada de destruir não apenas a integridade física, mas também a identidade, a autoestima e a dignidade feminina. A avaliação é da vereadora Ireuda Silva (Republicanos), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador, ao comentar estudos que apontam que agressões direcionadas à face representam uma forma extrema de violência de gênero.
Segundo pesquisadores, a destruição da imagem da vítima por meio de lesões no rosto revela uma intenção de marcar permanentemente a mulher, prolongando o sofrimento físico e psicológico mesmo após o fim das agressões. Casos recentes, como o da estudante Alana Anísio Rosa, esfaqueada dezenas de vezes dentro de casa após rejeitar investidas de um homem com quem sequer mantinha relacionamento, reforçam essa realidade.
Para Ireuda, esses crimes evidenciam que a violência contra a mulher não está relacionada apenas ao desejo de controlar ou ferir, mas também de silenciar e invisibilizar suas vítimas.
"Quando um agressor escolhe atacar o rosto de uma mulher, ele tenta apagar sua identidade, sua autoestima e sua presença diante da sociedade. É uma violência que ultrapassa o corpo e busca destruir emocionalmente a vítima, deixando marcas permanentes. Trata-se de uma manifestação cruel do machismo e da cultura da violência contra as mulheres", afirmou.
A parlamentar observa que, mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, o Brasil ainda convive com elevados índices de violência de gênero e com um preocupante cenário de subnotificação. Estudos mostram que milhares de mulheres chegam aos serviços de saúde após sofrerem violência física, psicológica ou sexual, mas poucas têm esses casos formalmente registrados, dificultando a responsabilização dos agressores e a formulação de políticas públicas.
"Precisamos fortalecer toda a rede de proteção, desde o acolhimento imediato até o atendimento psicológico, jurídico e médico especializado. A mulher precisa ser amparada para reconstruir sua vida, sua confiança e sua autonomia. Nenhuma vítima pode enfrentar esse processo sozinha", ressaltou.
