87% dos deputados federais pretendem disputar reeleição, patamar recorde
Por Gabriela Echenique/Folhapress
27/07/2026 às 11:16
Foto: Bruno Spada/Arquivo/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara
Um levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) aponta que 87,32% dos deputados federais vão tentar a reeleição neste ano.
O percentual é maior ao registrado nas eleições de 2022 e o representa um recorde da série histórica levantada pela entidade.
A análise foi feita a partir de pesquisas e consultas a sites, contatos com candidatos e dirigentes, além de considerar os arranjos políticos locais.
Dos 513 parlamentares, 448 dizem que vão tentar conquistar a cadeira novamente no pleito deste ano. O número pode chegar até a 495 candidatos à reeleição, se os indecisos e os pré-candidatos ao Senado eventualmente mudarem de ideia.
Na eleição de 2022, foram 86,93% os candidatos à reeleição, na Câmara. O percentual em anos anteriores também é menor que o atual: 75,43% em 2018, 79,33% em 2014 e 86,16% em 2010.
O número só estará fechado após o registro oficial de candidaturas junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O levantamento aponta para uma tendência de baixa renovação na Câmara dos Deputados. O que não deve ocorrer no Senado, já que neste ano a disputa na Casa Alta vai envolver dois terços das cadeiras.
"Os parlamentares praticamente quintuplicaram o valor que tinham disponível de emendas parlamentares. O que cada deputado tinha em torno de R$ 10 a 15 milhões ao ano aumentou para R$ 50 milhões. Isso é um fator que vai pesar muito neste índice de baixa renovação", disse Neuriberg Dias, diretor do Diap.
Segundo o Diap, os números mostram que os partidos pequenos tendem a ser os mais afetados diante do endurecimento das regras eleitorais, com o aumento da cláusula de barreira.
Partidos como União-PP, PT e PL devem formar as maiores bancadas, seguidos por Republicanos e PSD.
A tendência é um retorno de parlamentares tradicionais e mais experientes, com força da centro-direita e do centrão e manutenção da influência das bancadas informais, como a ruralista, da segurança pública e a evangélica.
"Por ter preferência aos recursos do partido, mesmo durante o mandato está sempre em campanha nas bases, ele é visto com mais frequência. Assim, os partidos vão optar por jogar o jogo com o time que está dando resultado já que é mais garantido", afirmou Neuriberg.
