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PF alega falta de pessoal e pede a Mendonça prazo maior para a investigação que cita Lulinha

PF alega falta de pessoal e pede a Mendonça prazo maior para a investigação que cita Lulinha

Ministro do STF determinou que polícia concluísse, em até 60 dias, avaliação de itens apreendidos em operações

Por Constança Rezende/Folhapress

29/06/2026 às 19:00

Foto: Reprodução

Imagem de PF alega falta de pessoal e pede a Mendonça prazo maior para a investigação que cita Lulinha

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT)

A Polícia Federal informou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça que precisará de mais tempo para analisar o material apreendido na operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS.

Esta etapa inclui a avaliação sobre a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), autorizada pelo ministro ainda em fevereiro.

Mendonça havia determinado à PF que concluísse, em até 60 dias, a avaliação dos itens como celulares, HDs, e pen drives dos presos da operação e daqueles que foram alvos de medidas restritivas. A cobrança foi motivada pela insatisfação do relator com a lentidão das investigações sobre o caso.

No último dia 9, a corporação afirmou que conseguiria analisar o material apreendido dos presos em 30 dias, mas precisaria de até seis meses para avaliar os itens do restante dos investigados.

A polícia alegou a falta de agentes atuando na operação. São 11 pessoas, enquanto seriam necessários mais de 40, segundo o órgão. A PF também afirmou que a análise global do material —cerca de 1.700 itens—encontra-se em estágio inicial, e que teria finalizado cerca de 40%.

O ministro também havia pedido, em ofício enviado à corporação, que o órgão mantivesse a equipe de investigação e, em caso de alterações, que fossem apresentadas justificativas no processo. A determinação foi feita devido a trocas anteriores feitas pela Polícia Federal. Mendonça tem avaliado que as mudanças têm contribuído para a demora da conclusão da operação.

Também há uma percepção, entre autoridades que acompanham o caso, que, apesar de ser mais antiga, iniciada em 23 de abril de 2025, a Sem Desconto está mais lenta do que a operação Compliance Zero, que apura fraudes do Banco Master e teve a primeira fase deflagrada em 18 de novembro.

Na resposta, porém, a polícia comunicou que o delegado responsável pelo comando da operação precisou deixar a investigação, pois teve que voltar à sua região de origem.

Antes, o órgão já havia anunciado a retirada do caso da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e realocado a apuração a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, que investiga pessoas com foro privilegiado.

Na ocasião, o chefe da divisão antiga, o delegado Guilherme Figueiredo Silva, foi pego de surpresa com a decisão da cúpula da Polícia Federal.

A polícia argumentou que a mudança foi feita para assegurar maior eficiência às investigações porque a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores tem estrutura para a condução de operações sensíveis com tramitação no STF.

As mudanças da PF fomentaram na oposição acusações de proteção ao filho do presidente. Uma das linhas de investigação é que Lulinha seria sócio oculto do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como um dos operadores centrais do esquema de fraudes.

Ainda não chegou ao gabinete de Mendonça o desfecho sobre a nova tentativa de delação do empresário Maurício Camisotti, que está sendo negociada com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria-Geral da República) desde o início de maio.

A primeira proposta do empresário chegou a ser enviada pela PF ao Supremo, mas a PGR pediu para que ela fosse reiniciada do zero, reclamando que a negociação não teve sua participação.

A PF identificou que empresas ligadas a Camisotti receberam transferências da Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), uma das principais investigadas na operação.

Apesar do imbróglio, a colaboração do empresário, apontado pela polícia como um dos beneficiários das fraudes, é considerada a mais avançada entre os investigados que demonstraram intenção de delatar.

Outro ponto ainda não esclarecido ao gabinete do ministro pela PF é sobre as buscas pelo presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes, que está foragido.

Apontado como líder e idealizador do esquema de fraudes da entidade no INSS, ele teve a prisão preventiva decretada por Mendonça em 11 de novembro. A entidade liderada por Lopes foi a segunda com mais descontos em aposentadorias, R$ 484 milhões, entre 2019 e 2024, segundo levantamento da CGU (Controladoria-Geral da União). Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo no dia 15 de outubro, Lopes negou que houvesse risco de fugir caso o STF declarasse a sua prisão.

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