Michelle estanca queda nas redes depois de atacar Flávio em vídeos
Por Mônica Bergamo/Folhapress
26/06/2026 às 07:45
Foto: Divulgação/Arquivo
Michelle Bolsonaro
Os vídeos em que Michelle Bolsonaro critica o enteado Flávio Bolsonaro, com mais de 32 milhões de visualizações em 24 horas, estancaram a perda contínua de seguidores que ela vinha registrando em seu perfil no Instagram e fizeram com que a ex-primeira-dama voltasse a ganhar adeptos.
De acordo com levantamento da Ativaweb DataLab, que acompanha a evolução da audiência digital de diversos perfis em diferentes plataformas, o de Michelle passou por um período de retração contínua nos últimos 60 dias, acumulando perda de mais de 50 mil seguidores.
O fenômeno coincidiu com a decisão dela de se afastar do debate político.A curva, no entanto, se inverteu depois da divulgação dos ataques ao enteado: a mulher de Jair Bolsonaro ganhou 39.704 seguidores nas primeiras 24 horas posteriores à disseminação dos vídeos.
Ela tem, no total, 8,2 milhões de seguidores.
O fenômeno de recuperação teria "evidenciando a força de mobilização de sua comunidade digital quando assume protagonismo no debate público", diz relatório da Ativaweb.
De acordo ainda com o levantamento, Michelle, mesmo quando em queda, "preservou um de seus principais ativos digitais, uma comunidade altamente engajada", formada especialmente por um público feminino e cristão.
Nas primeiras horas em que os vídeos estavam no ar, "Michelle alcançou aproximadamente 80% de manifestações favoráveis, impulsionada principalmente por sua base mais fiel, formada por mulheres, perfis cristãos, lideranças evangélicas e eleitores conservadores", afirma a pesquisa.
As principais mensagens desse grupo eram: "Michelle falou a verdade", ela teve coragem", "defendeu seus princípios" e "continua sendo a maior liderança feminina da direita."
"Michelle foi vista por seus apoiadores como alguém que preferiu manter seus princípios em vez de fazer concessões políticas", segue o trabalho. Foi aplaudida também por defender "a identidade ideológica do movimento conservador" e por não ter tido "medo de se posicionar".
Depois de 24 horas, no entanto, a audiência se ampliou e o apoio a ela caiu para 64,7%.
"Ao longo da noite e da madrugada, a conversa rompeu sua bolha inicial", o que "ampliou o contraditório".
Os vídeos passaram a ser comentados também por influenciadores, perfis humorísticos, pela oposição, por apoiadores de Flávio e pela imprensa, numa expansão que "reduziu naturalmente o percentual inicial de apoio" a Michelle.
A mulher de Jair Bolsonaro passou a ser criticada por expor publicamente um conflito familiar, por dividir a direita e por dar armas para que os adversários contra o enteado.
O episódio também "rapidamente migrou da política para o entretenimento digital", diz a Ativaweb.
As expressões mais recorrentes usadas nos memes foram "meu galego", "pipoca", "briguem mais", "fogo no parquinho" e "Lula no primeiro turno".
