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Governo apresenta nova manifestação para extradição de Zambelli em caso de perseguição armada
Governo apresenta nova manifestação para extradição de Zambelli em caso de perseguição armada
Justiça italiana negou extradição de bolsonarista em maio em caso de invasão hacker de sistema do CNJ
Por Ana Pompeu/Folhapress
25/06/2026 às 20:30
Foto: Reprodução
Carla Zambelli apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022
O governo brasileiro apresentou nesta quinta-feira (25) nova manifestação à Justiça italiana para pedir a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Desta vez, no caso da condenação no episódio em que ela sacou e apontou uma arma para um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
O país fez o pedido no âmbito da condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal à Corte de Cassação local, última instância da Justiça italiana. O julgamento foi concluído pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto de 2025.
Em maio, decisão da Justiça italiana negou a extradição da ex-deputada federal. Os juízes consideraram um problema o papel do ministro Alexandre de Moraes no caso da invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em que Zambelli foi condenada em maio do ano passado a dez anos de prisão.
Documento obtido pelo jornal Folha de São Paulo cita "múltiplos elementos que levam a duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal".
Na decisão, os italianos citam uma dupla função assumida por Alexandre de Moraes, um dos integrantes da Primeira Turma, colegiado que julgou a ex-deputada, e vítima do crime atribuído a ela. Zambelli foi condenada por agir para emitir um mandado de prisão falso com o ministro.
O novo material entregue pelo Brasil à Justiça italiana foi elaborado pela AGU (Advocacia-Geral da União), a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e o Ministério das Relações Exteriores.
A íntegra da manifestação está sob sigilo por tramitar, segundo a AGU, "sob regime de confidencialidade perante as autoridades competentes da República Italiana".
A Corte de Apelação, instância anterior, analisou os dois processos sobre a ex-deputada juntos, mas produziu duas sentenças diferentes —uma no fim de março e outra no meio de abril. Em ambas, se manifestou a favor da extradição.
No caso da arma, ela foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão em regime inicial semiaberto e à perda do mandato por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
A acusação do Ministério Público foi feita após o episódio em que a deputada sacou e apontou uma arma para um homem no meio da rua em São Paulo, em 29 de outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais.
Na ocasião, a deputada perseguiu um homem após uma discussão no bairro dos Jardins. Um segurança da parlamentar chegou a fazer um disparo e foi preso pela Polícia Civil.
"O porte de arma de fogo concedido à acusada volta-se à sua defesa pessoal, razão pela qual a portadora não pode adentrar com o armamento em locais públicos, tampouco conduzi-lo ostensivamente, salvo, evidentemente, se necessário para assegurar sua própria defesa ou de terceiros", disse Gilmar Mendes, relator do caso, em seu voto pela condenação.
Em junho de 2025, ela fugiu para a Itália e foi considerada foragida da Justiça brasileira. Zambelli foi detida no fim de julho, em um apartamento no bairro Aurélio, em Roma.
No ano passado, a Justiça da Espanha também negou um pedido de extradição feito pelo Brasil, no caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio Filho. Em 2024, o governo dos Estados Unidos disse que não extraditaria o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos. E, neste ano, autoridades da Argentina concederam refúgio a foragido da Justiça por envolvimento no 8 de Janeiro.
