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Flávio fala em 'guerra espiritual', e Messias cita Lula ao dizer que Marcha para Jesus não é comício

Flávio fala em 'guerra espiritual', e Messias cita Lula ao dizer que Marcha para Jesus não é comício

Por Ana Luiza Albuquerque e Anna Virginia Balloussier, Folhpress

04/06/2026 às 16:40

Foto: Ofotográfico/Folhapress

Imagem de Flávio fala em 'guerra espiritual', e Messias cita Lula ao dizer que Marcha para Jesus não é comício

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o senador Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas na Marcha para Jesus

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que "o mal vai ser expulso do governo do Brasil" e que o país vive uma "guerra espiritual". A declaração foi feita na Marcha para Jesus, evento evangélico que acontece em São Paulo nesta quinta-feira (4) de Corpus Christi.

Também presente, o advogado-geral da União, Jorge Messias, citou o presidente Lula (PT) para dizer que a ocasião não era de palanque. "O presidente Lula me enviou aqui, ele me pediu algumas coisas: me pediu pra levar o amor, a palavra de amor e de comunhão, e disse que aqui não é lugar pra comício" declarou.

O primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou pela manhã no evento. "Vamos orar pelo nosso Brasil, essa guerra é espiritual. Maior resposta que podemos dar ao mal que vai ser expulso do governo do Brasil esse ano", afirmou.

"Não estou aqui como candidato, estou aqui como cristão", havia dito pouco antes. Flávio, que participa da disputa eleitoral de 2026, não marcou presença nos anos anteriores.

Minutos antes de falar no trio, ele se esquivou de duas perguntas feitas a ele pela Folha. A primeira: se acreditava que as tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos têm potencial para prejudicar sua candidatura. O senador se reuniu com Donald Trump dias antes do anúncio e, como vacina para essa ideia já explorada por Lula, seu maior adversário, disse que pediu ao presidente americano que vete a taxação.

Flávio disse que o momento não era para falar de política.

Também não quis responder sobre a preferência de líderes evangélicos por uma chapa que unisse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O governador não pode mais concorrer a um cargo que não seja o que já ocupa, por restrições da legislação eleitoral, e Michelle seria uma opção de cabeça de chapa por ora descartada.

Flávio afirmou que estava ali "para orar pelo país", não para falar de política.

Embora não tenha sido o presidenciável preferido de lideranças do segmento, ele passou no teste de público: desceu para o meio da multidão e causou comoção, com muito empurra-empurra de fiéis atrás de selfies com o senador. "Deixa eu ser o neto do Bolsonaro!" e "manda um beijo pro seu pai!" foram alguns dos pedidos que recebeu depois de falar no trio.

Questionado por um repórter se havia conversado com Tarcísio, Flávio se negou a responder: "Entrevista aqui não dá".

Na última semana, o governador havia afirmado que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisava explicar muitas questões a respeito do caso Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que financiou o filme "Dark Horse".

Flávio esteve no trio elétrico principal do evento, com o governador Tarcísio; o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB); o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça; o advogado-geral da União, Jorge Messias; os pré-candidatos ao Senado por São Paulo, deputados André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP); e o deputado estadual Lucas Bove (PL).

À tarde, no palco, Tarcísio cantou louvores, foi chamado de "governador excepcional" pelo apóstolo Estevam Hernandes e discursou com empostação bíblica. Falou às "pessoas que choram escondidas" e às "que estão com problema familiar, problema de doença".

"A gente pode ser perseguido mas não será desamparado", disse o governador. "Pode ser derrubado mas vai ser levantado. Quem crê nisso?"

O prefeito da cidade falou em seguida e mencionou a presença de Flávio, o que foi recebido com entusiasmo por parte do público.

Então entrou o senador. "Eu sei que as mulheres oram mais", disse ele para na sequência pedir que todos, sem distinção, fizessem o mesmo pelo seu pai. Cantou um hino gospel chamado "Hino da Vitória" e reverenciou Israel, remetendo a uma causa cara a evangélicos.

"Eu sei que as mulheres oram mais que os homens, mas peço a todos que orem por Jair Messias Bolsonaro. Orem pelo Brasil que vai voltar a ser uma nação irmã de Israel. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos."

O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common estimaram a presença de 33,8 mil pessoas na marcha, em seu horário de pico por volta das 10h20 da manhã. A margem de erro é de 12%, o que significa que, segundo esse cálculo, o público estava entre 29,8 mil e 37,8 mil pessoas.

Segundo o grupo, a contagem foi feita a partir de fotos aéreas que cobriram toda a extensão do ato, sem sobreposição, e foram analisadas com um software de inteligência artificial. Afirmam ainda que fizeram registros apenas da concentração e do deslocamento, devido ao fato de o destino final da marcha ser em uma área próxima ao Campo de Marte, não sendo seguro usar drones na região.

Minoria de esquerda entre as lideranças políticas no evento, Messias, que é evangélico, passou boa parte da marcha na parte anterior do trio elétrico, isolado em um canto do carro. Um participante do trio afirmou à reportagem que ele conversou apenas com Tarcísio e Mendonça, que fez campanha por sua nomeação ao STF, rejeitada pelo Congresso.

Ao público, o apóstolo Hernandes descreveu Tarcísio e Nunes como "o governador e o prefeito da marcha". "São servos de Deus", disse ao chamá-los para uma fotografia conjunta, após breve discurso.

A Marcha chega à sua 34ª edição sob o tema "todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor". A escolha, segundo Hernandes, inspira-se no versículo em que Jesus prega: "Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura".

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