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'É vergonha alheia recorrer a tão baixo nível', diz ministro sobre decisão dos EUA que cita trabalho forçado
'É vergonha alheia recorrer a tão baixo nível', diz ministro sobre decisão dos EUA que cita trabalho forçado
Por Gabriela Echenique/Folhapress
04/06/2026 às 07:45
Foto: Paulo Pinto/Arquivo/Agência Brasil
Luiz Marinho
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que os Estados Unidos adotaram uma "desculpa esfarrapada" para tentar taxar o Brasil novamente. Ao rebater a ameaça norte-americana de nova tarifa, Marinho afirmou que tudo não passa de ilação.
O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) concluiu uma investigação sobre 59 países, incluindo o Brasil, apontando suposto uso de trabalho forçado.
O ministro do Trabalho rebate as acusações e diz que os americanos apresentaram mais uma narrativa baseada em "inverdades" para aplicar tarifas ao Brasil.
Para Marinho, o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu buscar uma alternativa após sofrer um revés da Justiça americana que barrou as tarifas impostas no ano passado pelo republicano.
"É uma mera desculpa esfarrapada, assim como fizeram ano passado", disse ao Painel.
Em 2025, ao anunciar o primeiro tarifaço contra o Brasil, o governo dos EUA alegou que o país tinha um déficit comercial, mas o governo brasileiro rebateu e disse que há um superávit dos americanos nessa relação.
O ministro do Trabalho reforçou que o Brasil é referência na OIT (Organização Internacional do Trabalho) e que a aduana brasileira é capacitada para impedir a chegada de produtos provenientes do trabalho forçado.
"Decisão tomada com base em muita inverdade, não devemos nada a absolutamente ninguém. São os países que vêm ao Brasil para aprender como faz", afirmou.
Marinho disse que o Brasil ainda quer estabelecer parcerias e buscar o diálogo, mas reforçou o discurso adotado pelo presidente Lula durante reunião ministerial, de que o país vai buscar novos parceiros comerciais.
Além disso, defendeu que o governo adote a reciprocidade caso não haja mais caminho de negociação. "O governo podia ter adotado antes. Nós não queremos usá-la, mas usaremos, sim, se for necessário. Não tem porque ficar fazendo bravata", disse ao Painel.
