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Datafolha: maioria dos brasileiros diz não saber ou não lembrar o nome de nenhum parlamentar

Datafolha: maioria dos brasileiros diz não saber ou não lembrar o nome de nenhum parlamentar

Por Juliana Arreguy/Folhapress

29/06/2026 às 06:33

Foto: Bruno Spada/Arquivo/Câmara dos Deputados

Imagem de Datafolha: maioria dos brasileiros diz não saber ou não lembrar o nome de nenhum parlamentar

Plenário da Câmara

A maioria dos brasileiros diz não lembrar ou não saber citar o nome de um deputado federal ou senador em exercício. Perguntas inéditas feitas pelo Datafolha mostram que 68% não mencionam um integrante da Câmara dos Deputados, e 75%, nenhum do Senado.

A maior parte também diz não lembrar também em quem votou há quatro anos —67% no caso de deputado federal e 66% no das escolhas de senador e deputado estadual.

A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 cidades nos dias 17 e 18 de junho. A pesquisa está registrada no TSE (Superior Tribunal Eleitoral) com o número BR-09956/2026.

Para as perguntas específicas sobre os votos em 2022, foram ouvidos 1.898 eleitores com 20 anos ou mais, ou seja, aqueles que já tinham idade mínima para votar nas eleições passadas.

O instituto questionou os entrevistados se eles se lembravam do nome de algum parlamentar que faça parte do Congresso atualmente. Caso a resposta fosse sim, eles deveriam responder quem e se citariam mais alguém.

Ao todo, 36% disseram não se lembrar de nenhum nome de deputado federal, e outros 32% afirmaram não saber.

Apenas 6 dos 513 deputados federais foram citados. O mais lembrado foi Nikolas Ferreira (PL-MG), com 6% das respostas, seguido de Érika Hilton (PSOL-SP), com 4%. Os demais ficaram com 1%: Gustavo Gayer (PL-GO), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Cleitinho (Republicanos-MG) também foi mencionado, embora seja senador. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também, mas seu mandato de deputado federal foi cassado em dezembro passado, após se mudar para os Estados Unidos e ser acusado de coação a autoridades brasileiras.

A mesma pergunta sobre a lembrança de algum nome foi feita sobre os senadores: 40% responderam que não se recordavam de nenhum, e 35% disseram não saber.

Dos 81 senadores, 15 foram lembrados. Em primeiro lugar, com 3%, aparece Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está em plena pré-campanha para a Presidência. Com 2%, empatam o ex-jogador Romário (PL-RJ), que comenta atualmente a Copa, Cleitinho e Sergio Moro (PL-PR).

No pelotão de 1%, estão Damares Alves (Republicanos-DF), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Eduardo Braga (MDB-AM), Eduardo Girão (Novo-CE), Esperidião Amin (PP-SC), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jader Barbalho (MDB-PA), Marcos Pontes (PL-SP), Otto Alencar (PSD-BA), Renan Calheiros (MDB-AL) e Rogério Marinho (PL-RN). Como Cleitinho, Nikolas foi citado erroneamente, como se fosse senador.

Para Beatriz Rey, cientista política e pesquisadora na Universidade de Lisboa, não há um trabalho de conscientização no Brasil sobre o papel do Legislativo, o que colabora para que os eleitores foquem mais os candidatos ao Executivo —o Datafolha mostra que a maioria lembra em quem votou para governador e presidente.

"Esses dados refletem a cultura de valorização das eleições presidenciais e a subvalorização das legislativas por uma falta, talvez, de clareza sobre quem está definindo os rumos da política no país, mesmo com um Congresso cada vez mais poderoso", diz.

Segundo o Datafolha, apenas 7% dos entrevistados não lembram em quem votou para presidente em 2022. Rey observa que a quantidade de cargos no Legislativo contribui para a maior confusão da população.

Nestas eleições, as candidaturas ao Senado ganharam maior peso nas discussões públicas após bolsonaristas indicarem a Casa como uma prioridade nas campanhas, já que senadores podem pautar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) por crime de responsabilidade.

Outro tema que permeia o Legislativo é a liberação vultosa de emendas. Como mostrou a Folha, somente em maio o governo Lula (PT) repassou R$ 16,1 bilhões em emendas a deputados e senadores para aprovar o fim da escala 6x1 antes das eleições.

Recortes

A falta de lembrança sobre o voto legislativo é maior entre as mulheres (75% no caso das escolhas ao Senado e 74% para deputados estadual e federal) e entre os eleitores que têm preferência pelo PT (70% no caso de votos para senador e 69% para deputados).

O índice de esquecimento é menor entre os homens (59% para deputados estaduais e federais e 56% para senadores) e entre os entrevistados com maior identificação com o PL (63% para deputado federal, 61% para estadual e 56% para senador).

Governador e presidente

Mais de um terço da população brasileira diz não se lembrar em quem votou para governador em 2022, mostra pesquisa Datafolha.

Segundo o instituto, 38% dos eleitores dizem não se recordar da escolha para o Executivo estadual, 9% afirmam não ter votado em ninguém, e 54% declararam se lembrar dos respectivos votos na eleição passada. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Um grupo menor de entrevistados afirmou não lembrar em quem votou para presidente em 2022: foram 7%. Outros 85% disseram que se recordam, e 8% declararam não ter votado em ninguém.

O levantamento mostra que o esquecimento do voto para governador é maior entre as mulheres (46%) do que entre os homens (28%) e também maior na faixa etária dos 20 aos 24 anos (45%).

O grupo etário com maior índice de lembrança do voto para o governo estadual é o dos 45 aos 59 anos (63%).

Entre os eleitores que declaram preferência no PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, 76% disseram se recordar do voto para governador, contra 52% que manifestaram preferência no PT, sigla do presidente Lula.

Em 2022, as eleições ao governo estadual avançaram ao segundo turno em 12 das 27 unidades federativas.

Afirmaram se recordar de suas escolhas para a Presidência 97% dos simpatizantes do PL e 90% dos do PT.

As últimas eleições foram marcadas pela forte polarização entre Lula e Bolsonaro, com a vitória do petista por um apertado resultado de 50,9% a 49,1%. O atual presidente teve 2,1 milhões de votos a mais que o adversário.

Dos entrevistados que disseram que pretendem votar em Lula em 2026, 87% afirmaram se lembrar de quem votaram em 2022. O índice é de 93% entre os que declararam voto no senador Flávio Bolsonaro (PL).

De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha na semana passada, Lula apresentou 41% de intenção de votos à Presidência no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro.

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