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Consulado do Haiti aprofunda união e laços culturais com o Brasil em ato diplomático

Consulado do Haiti aprofunda união e laços culturais com o Brasil em ato diplomático

Por Redação

20/06/2026 às 19:30

Foto: Divulgação

Imagem de Consulado do Haiti aprofunda união e laços culturais com o Brasil em ato diplomático

O dia do jogo entre o Haiti e o Brasil pela Copa do Mundo também foi um dia de celebração e aprofundamento das relações culturais, de cooperação, diálogo e respeito mútuo entre as duas nações que se enfrentaram nos gramados, mas que fora de campo possuem uma forte conexão, cooperação histórica e uma grande solidariedade. Nesta sexta-feira (19), o Consulado-Geral do Haiti em Salvador promoveu, em conjunto com a representação regional do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), o lançamento da Diplomacia Cultural, na Universidade Federal da Bahia, para fortalecer o conhecimento mútuo entre os povos dos dois países e criar novos espaços de colaboração em torno da história e dos valores em comum. Ao final, o evento contou com a transmissão da partida entre o Haiti e o Brasil. 

Em seu discurso na abertura da solenidade, o cônsul-geral do Haiti em Salvador, Henri Claude Voltaire, destacou a presença da instituição em solo baiano como tradução da confiança de que o aprofundamento do vínculo entre os dois países se estabelece pelo convívio, pela troca, história e aprendizado. “As relações entre os povos se constroem não apenas por meio da diplomacia tradicional, mas também pela cultura, pela memória, pela educação e pelo diálogo. Se escolhemos o tema “Haiti–Bahia: Atlântico Negro, Diálogo, Memória e Cooperação” é porque nossas duas sociedades compartilham uma história profunda”. 

O lançamento da Diplomacia Cultural entre o Haiti e o Brasil, realizado nesta sexta-feira (19), marca o início de um projeto contínuo cujo objetivo é fazer da cultura instrumento de aproximação, cooperação e desenvolvimento entre essas duas nações que compartilham a mesma ascendência e uma história comum de resistência e afirmação de suas identidades. “Esta data marca o início de um processo que desejamos duradouro. Esperamos que dê origem a novas iniciativas acadêmicas, culturais e institucionais em benefício dos nossos dois povos”, acrescentou Henri Claude Voltaire em discurso para os haitianos, representantes do corpo consular, embaixadores e autoridades presentes na solenidade. 

Troca de experiências - Além da origem africana que une Haiti e Brasil, os dois países criaram mais afinidades e estreitaram laços devido à presença de guarnições e cooperantes brasileiros durante mais de uma década no país da América Central, afirmou o embaixador e chefe do escritório do Itamaraty em Salvador, Francisco Luz. “Nossa presença física foi muito importante para essa aproximação. Eles adoram música brasileira, o futebol brasileiro, acompanham produções brasileiras. Acredito que isso precisava ter uma troca agora, a gente também passar a conhecer um pouco mais da cultura haitiana. Seria um fator interessante nessa troca de experiências”, afirmou. 

O reitor da Ufba, Paulo Miguez, por sua vez, destacou durante a cerimônia de lançamento da Diplomacia Cultural, a ampla disposição da instituição de ensino superior em cooperar com o país da América Central e a comunidade haitiana. “Estaremos ao lado do Haiti naquilo que for possível. Creio que esse gesto de lançar em Salvador essa plataforma diplomática é algo que nos encanta, e quero dizer, senhor cônsul, que a Universidade Federal da Bahia está inteiramente à disposição para fazer com que esse gesto possa ter as melhores consequências”. 

*Força do povo haitiano -*O secretário do Trabalho, Emprego e Renda do Governo do Estado, Augusto Vasconcelos, relembrou no ato de solenidade que, além de serem unidos por laços ancestrais e afinidades culturais, as duas nações também compartilham a triste memória da exploração de seus povos. Mas graças à bravura do seu povo, o Haiti se libertou da supremacia europeia, aboliu a escravidão e criou a primeira república negra do mundo, destacou Vasconcelos.  A coragem dos haitianos transformou o país em uma “referência, um farol” no final do século XVIII, inspirando movimentos abolicionistas em todo o continente e o país, acrescentou o secretário. 

Conectados no passado e no presente, compartilhando revezes, dividindo vitórias e colecionando lutas que desafiaram a hegemonia de poderes constituídos e reescreveram suas histórias, Haiti e Brasil dão mais um passo na consolidação das suas relações por meio da importante iniciativa do Consulado-Geral do Haiti em Salvador, afirmou o secretário de Estado, para quem a instituição marca um “verdadeiro golaço”. “Porque isso aqui representa a bola na rede para a gente poder autorizar os direitos humanos, integrar os povos, a nossa cultura, e poder também nos inspirar mutuamente nas lutas de cada povo, por independência, libertação e por soberania”.

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