Lula diz que vetará projeto que abre brecha para disparos em massa
Presidente afirma que vai trabalhar para que proposta não seja aprovada no Senado, onde ainda será analisada
Por Isadora Albernaz/Caio Spechoto/Folhapress
22/05/2026 às 19:30
Atualizado em 22/05/2026 às 19:12
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O presidente Lula (PT) foi o entrevistado desta sexta-feira (22) do programa Sem Censura, da TV Brasil
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (22) que irá vetar o projeto de lei que abre brecha para o disparo em massa de mensagens, inclusive com uso de robôs, em ano eleitoral, caso o texto seja aprovado pelo Congresso Nacional.
Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o petista afirmou que o uso de IA (inteligência artificial) "vale para muita coisa, mas não pode valer para disputa eleitoral para escolher um prefeito, um governador, um deputado".
"Não pode. E agora as bancadas aprovaram uma coisa que vai fomentar o uso de robô na eleição. Eu certamente vetarei. Primeiro vou trabalhar para o Senado não aprovar. E depois eu vetarei", disse.
A TV Brasil é um canal vinculado ao governo federal. As duas entrevistas exclusivas anteriores do petista foram para veículos de comunicação simpáticos à sua gestão: o site ICL Notícias e, em conjunto, para os sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum.
A proposta foi inserida de surpresa na pauta do plenário e aprovada pela Câmara dos Deputados na terça (19) em votação simbólica, ou seja, sem que os parlamentares tivessem que registrar voto nominal, o que foi criticado por deputados contrários à proposta.
Além disso, a sessão aconteceu de forma híbrida, com participação remota, e com baixa presença no plenário —nem sequer o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) estava na mesa. O texto agora será analisado pelo Senado.
Pelo texto, um número de celular oficial poderá ser usado "exclusivamente para fins de comunicação partidária e eleitoral" e as mensagens enviadas a partir desse telefone, desde que destinadas a pessoas cadastradas, "não configuram disparo em massa ainda que realizadas por meio de sistemas automatizados ou bots".
O projeto prevê apenas a possibilidade de que o destinatário se descadastre do recebimento, mas não prevê mecanismos para que apenas cadastramentos voluntários sejam realizados.
Guilherme France, da Transparência Internacional, avalia que a proposta cria uma "minirreforma eleitoral que fragiliza mecanismos de fiscalização e promove a impunidade dos partidos políticos que descumpriram a lei".
DÍVIDAS E FUSÕES DE PARTIDOS
O projeto de lei também renegocia dívidas partidárias por até 15 anos e cria um teto para multas em caso de reprovação das contas dos partidos.
A proposta ainda permite que fundações partidárias funcionem como faculdades, veda a penhora e bloqueio de bens dos fundos partidário eleitoral (mesmo em casos de condenação criminal) e impede a suspensão de recursos do fundo partidário durante o semestre eleitoral.
O projeto também estabelece que um partido que resulte da fusão de outros é isento da aplicação das sanções de suspensão ou bloqueio de repasses de recursos de fundo partidário previstas contra as antigas siglas.
