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Governo Lula discute proposta para estabelecer limites para penduricalhos de servidores
Governo Lula discute proposta para estabelecer limites para penduricalhos de servidores
Projeto está em elaboração no Ministério da Gestão
Por Caio Spechoto/Folhapress
15/05/2026 às 17:05
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discute uma proposta legislativa para limitar os bônus que permitem uma fração dos servidores públicos receber rendimentos acima do teto constitucional de R$ 46.366,19, conhecidos como "penduricalhos". A proposta é discutida no Ministério da Gestão.
A ideia ganhou força depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) restringir os pagamentos desses penduricalhos para membros do Judiciário e do Ministério Público até o Congresso aprovar uma lei que regulamente o tema. Uma eventual proposta do governo sobre o tema precisa de aval do Legislativo para entrar em vigor.
Os penduricalhos beneficiam principalmente pessoas ligadas ao Judiciário e ao Ministério Público, como juízes e procuradores. No Executivo, o maior foco de rendimentos acima do teto está na categoria de advogados públicos.
O projeto deverá fazer uma distinção entre direitos trabalhistas que beneficiam também trabalhadores da iniciativa privada, como décimo terceiro salário, e o que mais comumente é chamado de penduricalho, como diárias para quem viaja a trabalho. A limitação deverá incidir principalmente sobre esse segundo grupo.
O tema ganhou notoriedade por causa de decisões do ministro do STF Flávio Dino contra essas benesses percebidas por parte dos funcionários do Estado. Em março, o Supremo aprovou uma tese sobre essas remunerações e estabeleceu regras para vigorarem até um projeto ser aprovado pelo Congresso.
O tribunal determinou que as verbas indenizatórias para juízes e procuradores não poderão passar do equivalente a 35% do salário. Além disso, permitiu que esses profissionais recebam aumento de 5% a cada cinco anos de carreira, também com limite de 35%.
O STF proibiu penduricalhos como auxílios natalinos ou para ressarcir compra de combustível, auxílio-moradia ou alimentação e licença compensatória de um dia de folga por três trabalhados.
Em abril, Lula criticou as remunerações acima do teto constitucional. "Não é possível que você não acabe com os penduricalhos desse país, não é possível continuar com essa promiscuidade", declarou em entrevista ao site ICL Notícias.
Antes, em fevereiro, o petista já havia vetado parcialmente projetos de lei que reajustavam salários de funcionários da Câmara dos Deputados, do Senado e do TCU (Tribunal de Contas da União). Os projetos criavam indenizações e verbas extras que poderiam aumentar os rendimentos de alguns servidores para mais de R$ 80 mil.
Um dos trechos proporcionava um dia de folga a cada três trabalhados em períodos como feriados e finais de semana, e o servidor poderia optar por receber uma indenização em vez de efetivamente tirar a folga e ficar um dia sem trabalhar.
O veto do presidente foi interpretado, à época, como mais um fator que poderia acelerar a criação de uma lei que regulamente as verbas indenizatórias. Integrantes tanto do governo quanto da oposição deram declarações a favor do teto remuneratório do serviço público.
