Home
/
Noticias
/
Economia
/
Em busca de popularidade, Lula utilizará R$ 30 bi para financiar carros para motoristas de app
Em busca de popularidade, Lula utilizará R$ 30 bi para financiar carros para motoristas de app
Programa, com participação do BNDES, deverá ter subsídio maior para mulheres
Por Caio Spechoto/Folhapress
18/05/2026 às 19:00
Atualizado em 18/05/2026 às 19:29
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja anunciar na terça-feira (19) um programa de R$ 30 bilhões em financiamento subsidiado para motoristas de aplicativos como o Uber e taxistas trocarem seus carros.
Serão elegíveis motoristas que tiverem feito ao menos 100 corridas nos últimos 12 meses. Os financiamentos serão para veículos de até R$ 150 mil.
O anúncio é parte de uma série de ações de Lula que visa a aumentar sua popularidade no ano eleitoral. O petista concorrerá à reeleição em outubro. Motoristas de aplicativo compõem uma categoria que o petista tenta atrair para sua base de apoio desde o começo do governo, mas tem dificuldades.
O plano na cúpula do governo é que o presidente anuncie, ele mesmo, o novo programa em uma solenidade em São Paulo. Na semana passada, o anúncio da subvenção da gasolina foi realizado sem o chefe do governo.
A ideia do governo é que os juros do financiamento fiquem abaixo da taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano por meio de um subsídio. Os R$ 30 bilhões estimados para esse fim entrariam na contabilidade como despesa financeira, o que não conta para o resultado primário das contas públicas. O programa deve ter participação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Veículos que rodam somente com gasolina ou óleo diesel não poderão ser financiados pelo programa. O governo petista faz o possível para promover combustíveis renováveis, como etanol –preferencialmente produzidos no Brasil.
Lula aparece nas pesquisas de intenção de voto tecnicamente empatado com o principal pré-candidato a presidente da direita, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pesquisa Datafolha divulgada no sábado (16), mostra os dois com 45% das intenções de voto para o segundo turno.
Os dados do levantamento foram colhidos majoritariamente antes da revelação de mensagens de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e pivô de um esquema de fraude financeira. Ou seja, não foram captados eventuais danos na popularidade de Flávio causados pelas mensagens.
O governo Lula tentou promover uma regulamentação do trabalho por aplicativos, mas houve um impasse nas negociações com o Congresso e a discussão ficou para 2027. A gestão petista considera precárias as relações de trabalho por meio dos aplicativos, daí a tentativa de uma regulamentação.
Durante as conversas com representantes de trabalhadores por aplicativos, os aliados de Lula perceberam uma divisão: motoristas de aplicativos de transporte de passageiros, como os que devem ser beneficiados pelo novo programa, são mais resistentes à aproximações com a gestão petista do que entregadores.
Lula já fez uma série de outros anúncios nas últimas semanas buscando melhorar sua popularidade.
A subvenção para gasolina será de até R$ 0,89 por litro de gasolina para evitar reajustes. Os preços estão pressionados por causa da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem aumentado a cotação do petróleo no mercado internacional. O impacto nas contas públicas poderá chegar a R$ 2,4 bilhões.
Na última terça-feira (12), Lula revogou a "taxa das blusinhas". Criada em seu governo, ela era impopular e causava desgaste junto aos setores do eleitorado que fazem compras no exterior por meio de sites e aplicativos. A medida foi uma vitória da área política do governo. Integrantes da área econômica, inclusive o vice-presidente e ex-ministro da Indústria e Comércio Geraldo Alckmin (PSB), eram contra a revogação.
