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Dólar fecha abaixo dos R$ 5 com realização de lucros; Bolsa recua com negociações no Oriente Médio
Dólar fecha abaixo dos R$ 5 com realização de lucros; Bolsa recua com negociações no Oriente Médio
Pregão é marcado por foco no conflito e correção do dólar após avanços recentes
Por Folhapress
18/05/2026 às 19:45
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Moda americana fechou em forte queda de 1,35%
O dólar fechou em forte queda de 1,35%, cotado a R$ 4,997, nesta segunda-feira (18), em linha com a desvalorização da moeda no exterior e em meio à correção dos avanços recentes do dólar.
O pregão também foi marcado pelas negociações no Oriente Médio, que geraram um clima de incerteza entre os investidores, mas sinalizaram uma possível distensão do conflito.
A Bolsa também registrou queda de 0,17%, aos 176.975 pontos, acompanhando o desempenho de Wall Street.
O comportamento doméstico espelhou o internacional. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,29%.
No mercado acionário, o movimento foi de aversão ao risco nas Bolsas norte-americanas, com o S&P 500 e a Nasdaq recuando 0,20% e 0,51%.
Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o mercado encerra esta segunda dividido entre a busca por alívio e a cautela com a guerra no Oriente Médio. Ele também destaca um processo de correção na moeda norte-americana, ou seja, investidores aproveitando as altas recentes para vender dólares e embolsar ganhos. "
O dólar corrige parte do estresse da sexta-feira. O dia termina com uma mensagem clara: qualquer avanço nas negociações de paz pode aliviar os ativos de risco", diz.
Algo similar é dito por Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. "O câmbio passou por um ajuste técnico e testa o patamar de R$ 5, monitorando o alívio temporário no exterior trazido pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a arrefecer os preços das commodities na parte da tarde —embora o petróleo Brent siga próximo dos US$ 110".
No domingo (17), o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã caso o país não aceite a proposta norte-americana. "Para o Irã, o tempo está acabando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles", afirmou o republicano em sua plataforma Truth Social.
Horas depois, segundo a Reuters, Teerã enviou uma resposta à proposta de paz feita pelos norte-americanos. O Paquistão, negociador entre as partes, confirmou que recebeu o documento e encaminhou aos norte-americanos.
"Os pontos destacados são demandas iranianas que têm sido firmemente defendidas pelo país a cada rodada de negociações", afirmou o porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Esmail Baqai, nesta segunda.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim disse que foi informada por uma pessoa próxima à negociação que os americanos aceitaram suspender as sanções ao petróleo iraniano.
Além disso, os EUA teriam permitido que o Irã mantenha atividades nucleares pacíficas sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês) e adiado um ataque ao Irã, previsto para terça-feira (19).
A guerra pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, aumentando a preocupação com uma alta inflacionária no mundo. Além do efeito sobre os combustíveis, há temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos principais insumos da cadeia produtiva.
O preço do petróleo voltou a superar US$ 110 após 13 dias com as ameaças de Trump. O barril Brent, referência mundial, chegou a ser vendido a US$ 111,99. Por volta das 17h, contudo, a commodity recuava 0,26%, a US$ 108,98.
No Brasil, o conflito já aparece nos indicadores da inflação e levou o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, a adotar uma postura mais cautelosa no ciclo de cortes de juros brasileiro.
Na ata da última reunião, em maio, o colegiado afirmou que a magnitude e a duração dos cortes serão determinadas conforme novas informações forem divulgadas. Para o comitê, os indicadores da inflação mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
No mercado doméstico, destaque também para os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto).
O indicador registrou uma queda de 0,7% na comparação com o mês anterior, ante estimativa de retração de 0,2% por economistas consultados pela Reuters. Foi o primeiro recuo mensal neste ano e o mais intenso desde maio de 2025.
"O desempenho menos positivo observado em março reforça a necessidade de cautela à frente devido ao cenário macroeconômico que se mostra mais adverso por conta do impasse no Oriente Médio", diz Yihao Lin, economista da Genial Investimentos.
Segundo ele, os dados de atividade de março são consistentes com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, contudo demandam cuidado devido à deterioração da dinâmica inflacionária.
Internamente, investidores seguiram atentos aos desdobramentos do caso que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.
Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", com um aporte de R$ 61 milhões por parte do ex-banqueiro. Flávio confirmou as mensagens —o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.
A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos —onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.
As revelações provocaram a maior alta (+2,24%) do dólar desde 5 de dezembro, data em que a moeda disparou 2,33% após o anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato de Jair Bolsonaro, surpreendendo o mercado financeiro, que até então preferia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Na semana passada, o dólar registrou alta de 3,5% com a volatilidade, na maior valorização semanal de 2026. A Bolsa, por outro lado, recuou 3,7%.
