Consumo das famílias impulsiona crescimento do PIB no primeiro trimestre
Por Leonardo Vieceli e Eduardo Cucolo/Folhapress
29/05/2026 às 10:58
Foto: Alex Silva/Arquivo/Estadão
O crescimento do consumo das famílias brasileiras foi um dos principais destaques do PIB
O crescimento do consumo das famílias brasileiras foi um dos principais destaques do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (29). O país cresceu 1,1% no período, em relação ao 4º trimestre de 2025.
O coordenador de Contas Nacionais do instituto, Ricardo Montes de Moraes, afirma que, após um fim de ano em que ficou quase estável, o consumo das famílias cresceu em um ritmo próximo ao do PIB no início de 2026.
"Ele é o agregado com mais peso entre os usos e contribuiu para o maior crescimento da economia este trimestre."
Outro componente relevante, o investimento (chamado de Formação Bruta de Capital Fixo) cresceu 3,5% após ter caído 3,4% no trimestre anterior, voltando ao patamar em que estava no fim do 3º trimestre do ano passado.
Segundo o instituto, mesmo com um peso bem menor que o do consumo, ele também teve uma contribuição significativa para o crescimento no primeiro trimestre de 2026.
Consumo e investimentos integram o cálculo do PIB pela ótica da demanda por bens e serviços. O PIB inclui ainda as exportações, as importações e o consumo do governo.
Já a agropecuária, a indústria e os serviços integram o cálculo do indicador pela ótica da oferta. O principal setor é o de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB.
O primeiro trimestre deste ano registrou novos sinais de força do mercado de trabalho, além de medidas de estímulo do governo Lula (PT) antes das eleições.
A lista inclui políticas de crédito, reajuste do salário mínimo e isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 por mês.
O país, contudo, convive com endividamento das famílias em nível recorde e juros elevados para conter a inflação. As duas questões são desafios para a economia neste ano.
A inflação passou a ser pressionada pela guerra no Irã, que gerou disparada do petróleo no mercado internacional. A escalada das cotações causou aumento de preços de combustíveis no Brasil.
O consumo do governo cresceu 0,4%, menos que no trimestre passado (0,9%) e no anterior (1,3%), sendo um item que deu uma contribuição mais baixa para o crescimento, segundo Moraes.
Por fim, as exportações de bens e serviços recuaram 1,7%, enquanto as importações cresceram 4,4%.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o consumo das famílias registrou alta de 1,7%. A despesa de consumo do governo, de 2,8%. O investimento caiu 1,4%.
