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‘Sou um cara de jogo de cintura, mas não chego ao teatro rebolado’, diz Wagner sobre críticas ao STF
‘Sou um cara de jogo de cintura, mas não chego ao teatro rebolado’, diz Wagner sobre críticas ao STF
Candidato à reeleição, líder do governo no Senado diz que não vai fazer críticas à Corte apenas para se reeleger: ‘Se tiver de voltar fantasiado, prefiro não voltar’
Por Vera Rosa/Estadão
21/04/2026 às 19:20
Foto: Carlos Moura/Agência Senado/Arquivo
Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado
O senador Jaques Wagner (PT), líder do governo na Casa de Salão Azul, é conhecido nas fileiras do PT pelo “sincericídio”. Agora, diz que não vai colaborar com a “sanha” de atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que as críticas sejam feitas por seu próprio partido ou por outros aliados do Palácio do Planalto.
Wagner tem muitos senões a decisões do STF, tanto que, em 2023, votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para restringir decisões individuais de ministros da Corte, mas pondera que não pode ir “na onda da galera”.
“Eu sou um cara de jogo de cintura, mas não chego ao teatro rebolado”, afirma o senador. “Se para voltar aqui eu tiver que voltar fantasiado, prefiro não voltar. Se for para ser conduzido, é melhor mudar de ramo”, completou. Ex-governador da Bahia e ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, Wagner disputará novo mandato no Senado em outubro.
O PT fará o seu 8.º Congresso neste fim de semana, em Brasília, e uma das propostas que passarão pelo crivo dos petistas é justamente a defesa de um código de ética e conduta para o Supremo.
Desde os atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem o STF como aliado. Mas, após o escândalo do Banco Master, que expôs relações de Daniel Vorcaro com ministros do STF – como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli –, Lula e o PT tentam se descolar do desgaste da Corte.
“Tem muita coisa feita pelo STF que eu não sou obrigado a concordar. Mas eles têm o poder deles. E o timing político é uma coisa nossa. A esfera dos 11 (ministros do STF) é diferente. Estão em outra bolha”, observou Wagner.
A “bolha” ganhou novamente os holofotes nesta segunda-feira, 20, quando o ministro do STF Flávio Dino, odiado no Congresso por suas decisões contra a farra das emendas parlamentares, tentou pôr um freio de arrumação na polêmica sobre código de ética, bandeira do presidente da Corte, Edson Fachin.
Em crítica velada a Fachin, Dino ressalvou que “mudanças superficiais, assentadas em slogans fáceis, ou de caráter puramente retaliatório, não fortalecem o Brasil”. Foi mais um capítulo do racha no STF.
Apesar de ter detonado o relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na CPI do Crime Organizado, que pediu o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, Wagner discordou da iniciativa tomada logo depois pelo decano da Corte.
Mesmo com o relatório rejeitado pela CPI, Gilmar, o decano do STF, solicitou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet – também incluído na lista de acusados por Vieira –, uma investigação contra o senador, por abuso de autoridade.
“Se você me perguntar se politicamente é bom, eu digo: ‘não’. O cara (Vieira) acaba virando vítima. Mas eu não comando a caneta nem do Gilmar nem do Alexandre”, destacou Wagner. Era uma referência a Alexandre de Moraes, que pediu abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto, por associar Lula ao tráfico internacional de drogas e armas. “Seguramente, não foi Lula que pediu isso”, garantiu.
Cabo eleitoral do advogado-geral da União, Jorge Messias – indicado por Lula para ocupar uma vaga no STF –, Wagner chegou a entrar em atrito com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que rechaçou a escolha de Lula. Mas avalia que, após conversas pessoais entre Lula e Alcolumbre e entre Messias e o senador Rodrigo Pacheco (PSB) – que queria ser ministro do STF, mas aceitou ser candidato ao governo de Minas –, o ambiente para o advogado-geral da União melhorou. “Eu mesmo falei: ‘Davi, abra o seu coração!’”.
O presidente do Senado não disse nem sim nem não. Apenas sorriu. E Wagner não quis arriscar o número de votos que Messias terá na sabatina no Senado, no próximo dia 28. “Essa notícia de que ele foi mais votado ou menos votado vai durar 24 horas. Quando sentar lá na cadeira, será um ministro do TF”, argumentou.
