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Sob críticas de Lula, Petrobras estuda cancelar leilão de gás de cozinha que teve ágio de 117%

Sob críticas de Lula, Petrobras estuda cancelar leilão de gás de cozinha que teve ágio de 117%

Por Nicola Pamplona, Folhapress

02/04/2026 às 14:00

Atualizado em 02/04/2026 às 13:31

Foto: Ricardo/Stuckert/PR/Arquivo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no lançamento do programa Gás do Povo, em setembro de 2025

Cobrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Petrobras estuda como cancelar o leilão de gás de cozinha que terminou com ágios superiores a 100% esta semana. O leilão gerou críticas do setor e pode ter impacto no preço final do produto.

Em entrevista à TV Record Bahia nesta quinta-feira (2), Lula classificou o leilão como bandidagem e disse que sua realização desrespeitou orientação do governo e da direção da Petrobras. "Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra", afirmou.

O leilão havia sido inicialmente agendado para a semana passada. Foi suspenso enquanto Petrobras e governo negociavam uma subvenção para suavizar repasses da alta das cotações internacionais. Como não houve avanços, foi finalmente realizado na terça (31).

Nele, a Petrobras vendeu o equivalente a 11% do consumo de GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha) esperado para abril. Os ágios iniciais sobre o preço de refinaria oscilavam em torno de 30%. No final, houve ágio de até 117%, mais do que dobrando o valor do produto.

A Petrobras não comentou o assunto, mas a Folha apurou que a própria cúpula da companhia informou ao governo que o leilão foi realizado sem sua autorização.

Um dos argumentos internos para o cancelamento do leilão é a possibilidade de multa pela MP 1.340, de 12 de março, que criou a subvenção ao preço do óleo diesel e penalidades para a prática de aumentos abusivos nos preços dos derivados de petróleo.

A Petrobras não mexe no preço de venda do GLP em suas refinarias desde julho de 2024 e os leilões têm sido usados como estratégia para repassar ao menos parcialmente as variações das cotações internacionais para a parcela importada do combustível.

Desde o início da guerra no Irã, o GLP importado para o Brasil subiu 60%, segundo a paridade de importação calculada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), pressionando ainda mais a estatal.

A Acelen, dona da maior refinaria privada do Brasil, confirmou nesta quarta (1) reajuste de 15% sobre o combustível, o primeiro desde o início do conflito no Oriente Médio. A empresa é responsável por 4,7% do abastecimento nacional.

O governo já anunciou que analisa a possibilidade de concessão de subsídios ao produto. O preço do gás é um tema caro para o presidente Lula, que aprovou em 2025 um programa que ampliou para 15 milhões o número de famílias de baixa renda beneficiadas com botijões de graça.

Diante da alta de custos, as distribuidoras de gás alertaram o governo para a necessidade de rever o preço de referência para venda de botijões pelo programa. Em carta ao MME (Ministério de Minas e Energia), citam o reajuste da Acelen e os leilões da Petrobras como motivos.

"A não atualização tempestiva das tabelas de preços de referência pode resultar em uma fuga massiva de revendas do programa e maior dificuldade na ampliação para os cerca de 900 municípios restantes", diz o texto, assinado pelo Sindigás (Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP).

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