BRB faz assembleia nesta quarta (22) para aumentar capital em até R$ 8,8 bi
Por Folhapress
22/04/2026 às 07:35
Foto: Rafael Lavenere/Arquivo/Divulgação
Sede do BRB
O BRB (Banco de Brasília) realizará nesta quarta-feira (22) uma assembleia geral extraordinária de acionistas com o objetivo de aumentar o capital em até R$ 8,8 bilhões.
Isso será realizado pela emissão de até 1 bilhão de ações ordinárias e 561 milhões de ações preferenciais. A subscrição mínima será de R$ 536 milhões.
Hoje, o valor do capital social do BRB é de R$ 2,344 bilhões. Considerando o valor mínimo, ele subiria para R$ 2,88 bilhões. No caso do máximo, o capital saltaria para R$ 11,161 bilhões.
A oferta de ações do BRB será feita por meio de subscrição privada, modelo em que a compra só pode ser efetivada por quem já integra a base de acionistas do banco.
No detalhamento da proposta, a instituição afirma que os recursos do aumento de capital serão destinados "ao reforço do patrimônio líquido e do patrimônio de referência da companhia, com o objetivo de manter os índices de capitalização regulamentares e seu enquadramento prudencial."
O banco ainda precisa de um aporte de capital, que não foi implementado, pelo governo do Distrito Federal, controlador do BRB. Como mostrou a Folha, o presidente do BRB, Nelson de Souza, disse que a capitalização do banco será feita até o dia 30 de maio —antes do prazo limite de 180 dias dado pelo BC, que termina em 5 de agosto.
A operação corre em paralelo ao acordo firmado entre o BRB e a Quadra Capital, anunciado nesta segunda-feira (20), para transferir a um fundo de investimentos gerido pela Quadra ativos que tiveram origem no Banco Master, no valor de R$ 15 bilhões.
O pacto visa a dar ganho de liquidez ao BRB, que vem vendendo carteiras de crédito a instituições bancárias.
A operação prevê o pagamento à vista de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Haveria ainda uma parcela posterior, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, representada por cotas do fundo de investimento e a monetização dos ativos. O valor final não está fechado porque dependerá da injeção do governo do DF no banco.
Como mostrou a Folha no último dia 14, a cessão de ativos do BRB para a Quadra Capital prevê a criação de um Fidc (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) para incorporar ativos que originalmente vieram do Master, como ações da Oncoclínicas e da Ambipar, além de carteiras do Credcesta.
Por se tratar de uma operação voltada à liquidez, o negócio não precisa de aprovação do Banco Central, mas a autoridade monetária pode manifestar alguma objeção, se julgar pertinente. O regulador tem acompanhado de perto as ações do BRB.
Segundo o BRB, o acordo "visa à alienação dos referidos ativos com o objetivo de fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio, sendo a transação etapa relevante no processo de readequação do banco."
Nesta terça, a governadora do DF, Celina Leão (PP), afirmou que o governo permanecerá adotando medidas necessárias para consolidar o processo.
Neste mês, o Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco estatal, foi preso como resultado de investigações sobre supostas irregularidades na atuação da instituição durante a tentativa frustrada de compra do banco de Daniel Vorcaro.
