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Lula enviará ao Senado indicação de Messias ao STF mais de 4 meses após anúncio

Lula enviará ao Senado indicação de Messias ao STF mais de 4 meses após anúncio

Por Mariana Brasil e Ana Pompeu, Folhapress

31/03/2026 às 13:18

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Lula enviará ao Senado indicação de Messias ao STF mais de 4 meses após anúncio

Presidente Lula (PT) conversa com o advogado-geral da União, Jorge Messias

O governo Lula (PT) enviará nesta terça-feira (31) ao Senado a comunicação que formaliza a indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, ao STF (Supremo Tribunal Federal). O anúncio do nome foi feito há mais de quatro meses, no dia 20 de novembro.

A decisão foi tomada depois de um impasse que envolveu o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que resistia ao nome de Messias. A preferência inicial do senador era pelo nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG.

Embora o nome tivesse sido anunciado no fim do ano passado, Lula decidiu segurar o envio do comunicado oficial para ter mais tempo de articulação política para a sabatina de Messias no Senado. O envio se tornou a principal ferramenta que o Palácio do Planalto tinha em mãos para ampliar as negociações e tentar evitar uma derrota.

A documentação, agora, dará início ao processo de análise do nome de Messias para o Supremo.

Alcolumbre chegou a usar palavras fortes para se referir à ausência de comunicação formal da indicação pelo Planalto. Sem esse passo burocrático, o Senado não pode decidir se aceita ou não o indicado. A demora deu mais tempo para Messias fazer campanha e tentar obter apoio de senadores.

A confirmação de Messias depende do aval de ao menos 41 dos 81 senadores, em votação secreta. Houve resistências na Casa, que ameaçou avançar com pautas contrárias ao interesse do governo Lula.

Alcolumbre era o principal defensor da indicação de Pacheco. Durante o pronunciamento sobre a data da sabatina, ele expôs de maneira sutil seu descontentamento com a forma como Lula conduziu a escolha de Messias.

A escolha de Lula por Messias deteriorou a relação do presidente da República com o Senado, Casa que foi sua principal fonte de governabilidade desde o começo do atual mandato.

Messias, que é evangélico, agradeceu as orações e manifestações de apoio e afirmou que irá "retribuir essa confiança com dedicação, integridade e zelo institucional". O ministro André Mendonça, evangélico e indicado ao STF por Jair Bolsonaro (PL), elogiou a indicação feita por Lula, prometeu apoio no diálogo e disse se tratar de "nome qualificado da AGU e que preenche os requisitos constitucionais".

Chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Messias era apontado como favorito para o cargo desde o anúncio da aposentadoria de Barroso, devido à proximidade com o presidente. Gilmar, Moraes e Dino, do do STF, e a cúpula do Senado, no entanto, faziam campanha pela escolha de Pacheco, que é advogado.

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