Guerra já começa a impactar preço dos combustíveis no país
Postos em vários estados relatam reajustes sob o argumento de que cotações internacionais dispararam
Por Nicola Pamplona/Folhapress
05/03/2026 às 17:45
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Posto de combustível
Embora a Petrobras ainda não tenha anunciado reajustes, os preços dos combustíveis no país já começam a ser impactados pela guerra no Irã. Distribuidoras e a maior refinaria privada brasileira começaram a repassar a alta de custos aos clientes.
As distribuidoras dizem que a escalada das cotações internacionais do produto encareceu as importações e vêm elevando os preços de venda aos postos. Com mercado concentrado no Nordeste, a refinaria de Mataripe promoveu dois reajustes no diesel e um na gasolina após o início do conflito.
A reportagem apurou que postos de ao menos quatro estados —Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná— estão pagando mais caros pelos combustíveis e, como consequência, subirão o preço ao consumidor final.
Sindicatos de revendedores evitam falar em valores, mas um dono de postos na capital paulista disse que tem recebido diesel R$ 0,26 por litro mais caro desde o início da semana. O Paranapetro, que representa os postos do Paraná, fala em "alta expressiva".
"As atacadistas argumentam que também adquirem o derivado de importadoras", disse em nota o sindicato de postos do Rio de Janeiro. "Estas, segundo as companhias, já estão aumentando os preços em razão da guerra em curso no Oriente Médio", completa.
Em um comunicado recebido por um revendedor mineiro, a Ipiranga diz que, "devido à escalada dos eventos externos que acarretaram em alta nos preços do petróleo e derivados, informamos que haverá reajuste no diesel e na gasolina a partir de 4 de março".
Em nota, a Ipiranga diz que os custos do setor de combustíveis são influenciados por diversos fatores.
"No caso do diesel, por exemplo, uma dessas influências é que cerca de 30% do volume consumido no país é importado", afirmou. "Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais".
"As distribuidoras costumam repassar as altas com grande agilidade para os postos. Já no caso das baixas, demoram ou não repassam na íntegra", questionou o Paranapetro. Raízen e Vibra, as outras duas grandes empresas do setor, não quiseram comentar o assunto.
A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) alertou nesta quinta que as defasagens dos preços dos combustíveis em relação ao mercado internacional atingiram níveis recordes e defendeu repasses ao consumidor interno.
Na abertura do mercado, o preço do diesel nas refinarias brasileiras estava R$ 1,51 por litro mais barato do que a paridade de importação medida pela entidade. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 0,42 por litro em média no mercado e de R$ 0,47 por litro nas refinarias da Petrobras.
"O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos", afirmou.
A Petrobras diz que segue avaliando o cenário e que só promove reajustes quando os preços do petróleo se estabilizam em novos patamares. Nesta quinta, o petróleo segue em alta. Por volta das 15h, a cotação do Brent subia cerca de 4% e se aproximava dos US$ 85 por barril.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o diesel importado correspondeu a 27,35% das vendas do combustível no país em 2025. A Petrobras foi responsável por 47,7% das importações, enquanto empresas privadas compraram o restante.
