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Alexandre de Moraes voou ao menos 8 vezes em aviões de empresa de Vorcaro, indicam documentos
Alexandre de Moraes voou ao menos 8 vezes em aviões de empresa de Vorcaro, indicam documentos
Escritório Barci de Moraes diz que contrata diversos serviços de taxi aéreo, entre eles a Prime Aviation
Por Lucas Marchesini/Mônica Bergamo/Folhapress
31/03/2026 às 19:40
Atualizado em 31/03/2026 às 20:10
Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, voaram em jatos executivos de empresas do dono do Banco Master , Daniel Vorcaro , ou ligadas a ele, pelo menos oitos vezes entre maio e outubro de 2025, indicam documentos obtidos pelo jornal Folha de São Paulo.
Para encontrar os voos, foram feitos cruzamentos de três bancos de dados. O primeiro é da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e contém os nomes de todas as pessoas que embarcaram no terminal executivo do Aeroporto de Brasília.
O segundo é o registro de todos os voos que decolam do mesmo local e é compilado pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), vinculado ao Comando da Aeronáutica.
Por fim, a reportagem consultou os donos das aeronaves no Registro Aeronáutico Brasileiro, mantido pela Anac.
Dos oito voos, sete foram em aviões da Prime Aviation, empresa de compartilhamento de bens de luxo da qual Vorcaro era sócio através do fundo Patrimonial Blue. Os aviões da empresa têm autorização para realizar táxi aéreo. A casa utilizada pelo banqueiro em Brasília também pertence à Prime.
A única exceção é um voo realizado pelo ministro e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em 7 de agosto de 2025. Nessa ocasião, o avião utilizado foi um Falcon 2000 da Dassault prefixo PSFSW. O avião, um Falcon 2000, pertence a uma empresa chamada FSW SPE, que não tem autorização para táxi aéreo.
O pastor Fábio Zettel, cunhado de Vorcaro, é um dos sócios da aeronave. Ele foi preso na mesma operação que o ex-banqueiro e negocia uma delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a PF (Policia Federal).
O ministro Alexandre de Moraes não respondeu aos questionamentos da reportagem. Ele foi procurado via assessoria de imprensa do STF em 27,30 e 31 de março.
O escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que "contrata diversos serviços de taxi aéreo, e que entre os que já foram em algum momento contratados está o da empresa Prime Aviation. Em nenhum dos voos em aeronaves da Prime Aviation em que viajaram integrantes do escritório, no entanto, estiveram presentes Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel".
Afirma ainda que "a contratação desses serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos". E diz que nenhum dos advogados do escritório conhece Zettel.
A Prime disse que por questões de confidencialidade dos contratos e da Lei Geral de Proteção de Dados ela não divulga dados sobre os usuários das aeronaves do seu portfólio "sejam eles cotistas e seus convidados ou clientes de fretamento do serviço de táxi aéreo".
A defesa de Daniel Vorcaro disse que não se pronunciará. O advogado de Fabiano Zettel não respondeu à mensagem enviada às 14h50.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes assinou em fevereiro de 2024 um contrato com o Banco Master prevendo honorários mensais de R$ 3,6 milhões por três anos — um total de R$ 129 milhões, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo. Ele foi encerrado em novembro de 2025, quando o Master foi liquidado pelo BC (Banco Central).
O primeiro voo identificado pela Folha ocorreu em 16 de maio de 2025, uma sexta-feira. Moraes e Viviane foram os únicos passageiros a embarcar no terminal executivo às 9h30. Só um avião decolou de Brasília até as 11h daquele dia, o de prefixo PR-SAD, da Prime Aviation, às 9h37, com destino ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Em 22 de maio, uma quinta-feira, Moraes embarcou sem a mulher às 19h no mesmo avião. O voo decolou às 19h33, para o aeroporto de Catarina, em São Paulo, que recebe exclusivamente jatos executivos.
Uma semana depois, em 29 de maio, o ministro e sua esposa registraram sua entrada no terminal executivo do Aeroporto de Brasília às 19h30 com outros cinco passageiros. O único voo para São Paulo feito depois desse horário foi o de prefixo PT-PVH, também da Prime Aviation.
Em 9 de julho, Moraes embarcou às 22h. Além dele, no mesmo horário consta somente o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e um terceiro passageiro que decolaram em uma aeronave do governo para Goiânia às 22h25. O voo seguinte foi o da aeronave prefixo PP-NLR, da Prime Aviation, realizado às 22h34, para o Aeroporto de Catarina, em São Paulo.
Em 1º de agosto, uma sexta-feira, o casal e um terceiro passageiro foram os únicos a embarcar às 12h40.
O avião prefixo PR-SAD, um Embraer 505 operado pela Prime, decolou quatro minutos depois rumo a Congonhas (SP).
Os nomes de Moraes e Viviane aparecem de novo às 19h de 7 de agosto, uma quinta-feira. O único voo para São Paulo na próxima hora foi o PS-FSW, às 19h16. O Falcon 2000 está registrado em nome da empresa SPE FSW, que tem Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre os sócios.
Em 20 de agosto, uma quarta-feira, o casal embarcou às 19h30. Alexandre e Viviane foram os únicos passageiros no horário. O avião PT-PVH, operado pela Prime Aviation, decolou na sequência para Congonhas.
De acordo com o que indicam os documentos, o último voo de Moraes e Viviane em uma aeronave operada por uma empresa de Vorcaro aconteceu em 16 de outubro, uma quinta-feira. O avião da Prime Aviation (PP-BIO) decolou às 19h26 para o aeroporto de Catarina.
1 Comentário
CARLOS MOTA JR
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31/03/2026
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16:55
