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Ataque contra Irã acaba com legitimidade de Conselho de Paz de Trump, avalia governo Lula

Ataque contra Irã acaba com legitimidade de Conselho de Paz de Trump, avalia governo Lula

Por Patrícia Campos Mello/Folhapress

28/02/2026 às 12:02

Foto: Paulo Pinto/Arquivo/Agência Brasil

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O presidente Lula

Na visão do governo brasileiro, o ataque dos Estados Unidos contra o Irã acaba com qualquer resquício de legitimidade do Conselho de Paz criado pelo presidente americano Donald Trump. O conselho foi lançado por Trump com os objetivos declarados de promover a paz na Faixa de Gaza e resolver outros conflitos do mundo.

O Brasil foi convidado para integrar o conselho, mas, a exemplo de países como a França e Alemanha, resiste. A percepção é de que o órgão será instrumentalizado por Trump para enfraquecer ainda mais a Organização das Nações Unidas (ONU) e o sistema multilateral.

Autoridades do Planalto preparam um briefing para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os ataques de Israel e EUA contra o Irã. Funcionários do governo estão em contato com a embaixada brasileira no Irã para obter informações em primeira mão sobre a situação no país e sobre brasileiros residentes em solo iraniano.

Lula receberá o relatório por telefone ou por texto, uma vez que passa o dia em agenda em Minas Gerais, onde mais de 60 pessoas morreram em enchentes.

No dia em que os EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em 3 janeiro, houve dois briefings presenciais.

O Itamaraty deve emitir nota ao longo do dia condenando os ataques contra o Irã. É princípio diplomático brasileiro condenar ataques unilaterais contra qualquer país quando realizados sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Na visão do governo brasileiro, a ofensiva contra o regime também enterra qualquer chance de Trump ganhar o prêmio Nobel da Paz.

O Planalto ainda avalia a situação, mas acredita que as repercussões dos ataques serão bem maiores do que as dos bombardeios americanos contra o Irã em junho do ano passado. Naquela ocasião, os alvos se restringiam a instalações nucleares do país.

Agora, os objetivos são o estoque de mísseis, instalações nucleares e lideranças do país persa. Brasil teme que ataques não sejam "cirúrgicos" como no passado e que crise se espalhe para outros países da região.

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