Centrão aposta em divisão no PT e no PL para aprovar voto distrital misto
Por Redação
03/11/2026 às 11:20
Atualizado em 03/11/2026 às 12:49
Foto: Vinicius Loures/Arquivo/Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula a aprovação do voto distrital misto, proposta que enfrenta resistências tanto no PT quanto no PL. A estratégia do Centrão é aproveitar divergências internas nas duas siglas para conquistar apoio à mudança no sistema eleitoral. A avaliação é que o novo modelo pode reduzir a influência dos chamados “puxadores de votos”, parlamentares com votação expressiva que ajudam a eleger outros candidatos da mesma legenda. A reportagem é do jornal O Globo.
Pelo modelo defendido por Motta, o eleitor votaria duas vezes: uma para escolher o deputado de seu distrito e outra para selecionar um partido. A proposta pode prejudicar parlamentares de perfil mais ideológico, cuja votação costuma ser distribuída por diferentes regiões do estado. No PL, nomes como Nikolas Ferreira (MG), Lucas Pavanato (SP) e Julia Zanatta (SC) demonstraram resistência, sob o argumento de que a mudança reduziria a autonomia dos candidatos e fortaleceria as cúpulas partidárias.
Na esquerda, também há divergências. Enquanto setores do PT historicamente defendem a lista fechada, deputados como Rogério Correia (PT-MG) e Glauber Braga (PSOL-RJ) criticam o modelo por considerar que ele pode encarecer campanhas e limitar o surgimento de novas lideranças. Hugo Motta conta com o apoio de partidos como União Brasil, PP, PSD, Solidariedade, PSDB e PSB. Tentativas anteriores de alterar o sistema eleitoral, em 2015, 2017 e 2021, foram frustradas no Congresso.
