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Bacelar alerta que voto distrital misto pode abrir caminho para facções criminosas elegerem representantes no Congresso

Bacelar alerta que voto distrital misto pode abrir caminho para facções criminosas elegerem representantes no Congresso

Por Redação

03/11/2026 às 12:14

Foto: Divulgação/Arquivo

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O deputado Bacelar

A adoção do voto distrital misto no Brasil pode criar condições para que facções criminosas e milícias convertam o domínio armado que exercem sobre comunidades em influência política e representação no Congresso Nacional. O alerta é do deputado federal Bacelar (PV-BA), que manifesta preocupação com a proposta em discussão no Congresso e seus possíveis efeitos sobre a liberdade das eleições.

Segundo o parlamentar, em diversas regiões do país, organizações criminosas já ultrapassaram a atuação no tráfico de drogas e passaram a controlar atividades econômicas, impor regras de circulação, ameaçar moradores e interferir na rotina das comunidades. Esse domínio territorial, avalia, pode ser utilizado para intimidar eleitores, impedir campanhas adversárias e favorecer candidatos alinhados aos interesses desses grupos.

“Quem controla o território pode tentar controlar o voto. Não podemos correr o risco de transformar áreas dominadas por facções e milícias em distritos eleitorais submetidos à influência do crime organizado. Seria permitir que o poder das armas avançasse sobre o poder das urnas”, afirma Bacelar.

O deputado também questiona o argumento de que a divisão do território em distritos menores facilitaria a fiscalização dos mandatos e aproximaria representantes da população. Para ele, não existe proximidade democrática onde o eleitor está submetido à ameaça e candidatos adversários podem ser impedidos de entrar em determinadas comunidades. “Como falar em fiscalização do mandato onde o morador tem medo de denunciar e o eleitor está sujeito à pressão de grupos armados? Não existe representação legítima quando a escolha é condicionada pelo medo”, ressalta.

Bacelar reconhece as distorções do atual sistema eleitoral, mas defende que qualquer mudança seja precedida de estudos técnicos sobre a presença territorial de facções e milícias e os riscos de interferência na formação dos distritos. Também aponta a necessidade de fortalecer os partidos, combater o financiamento ilegal de campanhas e ampliar a fiscalização eleitoral, com integração entre a Justiça Eleitoral e os órgãos de inteligência e segurança pública.

“A reforma política não pode ser discutida como se o Brasil não tivesse territórios submetidos ao poder de facções e milícias. O crime organizado pode buscar não apenas o controle das comunidades, mas também influência sobre as decisões do Estado. Nossa obrigação é impedir que encontre nas regras eleitorais um caminho para chegar às instituições. A democracia não pode se tornar extensão do território de nenhuma facção”, conclui o deputado.

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