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Puxada por mulheres de direita, bancada feminina do Senado cresce 80%

Puxada por mulheres de direita, bancada feminina do Senado cresce 80%

Por Angela Boldrini, Bárbara Blum e Natália Santos, Folhapress

04/10/2026 às 22:59

Foto: Beto Barata/Divulgação/Arquivo

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Michelle Bolsonaro (PL)

Puxada pela eleição de parlamentares de direita, a bancada feminina do Senado de 2027 será 80% maior do que aquela que começou a legislatura anterior, em 2023. Neste domingo (4), foram eleitas 12 senadoras, recorde de participação feminina na Casa.

Deverão atuar a partir de 2027 18 mulheres no Senado, chegando a 22,2% do total de cadeiras. No início de 2023, eram dez senadoras —quatro eleitas e seis remanescentes.

Apesar do recorde, o percentual ainda está muito abaixo da proporção de mulheres na população brasileira, de 51,5%. Estavam em disputa 54 vagas, dois terços da Casa.

Além disso, com Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) eleitas pelo Distrito Federal, a Casa terá sua primeira bancada totalmente feminina na história. Completa o trio Damares Alves (Republicanos), que foi eleita em 2022 e tem mais quatro anos de mandato.

A alta foi puxada pela eleição de parlamentares da direita; entre as 12 novas senadoras, sete são filiadas ao PL, Republicanos, Podemos, PSDB e União Brasil. Outras quatro pertencem a partidos de esquerda, de acordo com o GPS Ideológico da Folha. Elas são Marília Campos (PT-MG), Samanda de Lula (PT-RN), Marília Arraes (PDT-PE) e Luizianne (Rede-CE). Apenas uma nova senadora, Teresa Surita (RR), é do MDB, classificado como centro.

Entre os partidos, o PL lidera a conta, com três novas parlamentares. Além de Kicis e Michelle no DF, o partido elegeu Caroline de Toni em Santa Catarina. O PT vem em seguida, com duas eleitas: Marília Campos e Samanda de Lula, que desbancou a atual senadora Zenaide Maia (PSD-RN).

Em 2022, quatro mulheres chegaram à Casa. Além de Damares, assumiram mandatos Tereza Cristina (PP-MS), Teresa Leitão (PT-PE) e Professora Dorinha (União-TO). Foram quatro eleitas no total de 27 vagas. Outras duas senadoras permanecem na Casa por mais quatro anos após terem assumido definitivamente cargos de suplência: Lourdinha Pereira (PSB-MA), Jussara Lima (PSD-PI).

Atualmente, há 15 mulheres exercendo o mandato.

Duas delas concorreram como suplentes na eleição de 2026: Daniella Ribeiro (PP-PB), na chapa de Nabor Wanderley (Republicanos), e Dra. Eudócia (PSDB-AL), com Marina JHC (PSDB). Nabor, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não se elegeu. Já Marina, esposa de JHC, eleito governador de Alagoas, conseguiu a vaga.

Além de Zenaide, outras três senadoras que tentavam a reeleição não obtiveram o número necessário de votos. Elas são Eliziane Gama (PT-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Leila Barros (PDT-DF), também conhecida como Leila do Vôlei.

Outras duas se candidataram a outros cargos. É o caso de Mara Gabrilli (PSD), que concorreu à Assembleia Legislativa de São Paulo, e Roberta Acioly (Republicanos-RR), a deputada federal. Professora Dorinha lidera a disputa pelo governo do Tocantins e pode deixar a Casa se eleita —neste caso, assumiria a Professora Lu (União Brasil), mantendo o mesmo número de mulheres. Ivete da Silveira (MDB-SC) não concorreu a nenhuma posição e terminará seu mandato em fevereiro de 2027.

Com isso, apenas seis mulheres que estão em exercício atualmente no Senado se manterão na nova legislatura.

A primeira mulher senadora foi Eunice Michiles (AM), que assumiu a cadeira em 1979, ainda durante a ditadura militar. Desde então, a presença feminina avançou de forma gradual, mas permaneceu minoritária.

A desigualdade de gênero no Senado virou notícia em 2016, quando foi aberto o primeiro banheiro feminino do plenário da Casa. Até aquele ano, elas precisavam usar um lavatório localizado no chamado "cafezinho", lanchonete adjacente ao plenário onde os parlamentares fazem refeições. O prédio do Congresso foi inaugurado em 1960, quando não havia nenhuma senadora.

O Brasil ocupa o 138º lugar no ranking de igualdade de gênero parlamentar, segundo a Inter-Parliamentary Union, que compila dados mensais do Legislativo ao redor do mundo. O Congresso brasileiro está atrás dos Parlamentos de países como Bahrein (123º), Arábia Saudita (125º), Somália (133º) e Burkina Faso (133º, empate). Na América do Sul, a média de participação feminina é de 31,4%.

 

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