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Mercado vê Bolsa em alta e dólar em queda após vantagem de Flávio contra Lula

Mercado vê Bolsa em alta e dólar em queda após vantagem de Flávio contra Lula

Analistas esperam sessão agitada com maior busca por ativos de risco

Por Júlia Moura/Folhapress

04/10/2026 às 20:30

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Andressa Anholete/Agência Senado/Arquivo

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Lula e Flávio Bolsonaro

Analistas do mercado financeiro esperam um pregão com maior apetite a risco e volatilidade nesta segunda-feira (5) pós-eleições. A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) ante Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas apurações e a ida de ambos ao segundo turno, conforme projeção do Datafolha, não estava precificada e deve prolongar a alta da Bolsa de Valores e promover uma redução nos juros futuros e no dólar.

"Os mercados já anteciparam um pouco deste movimento nos últimos dias, mas a força da votação da oposição deve gerar uma reação positiva amanhã. Liderando já no primeiro turno, as chances de Flávio ganhar são muito altas", diz Fernando Siqueira, diretor da casa de análise Eleven.

Analistas não esperam um controle fiscal de um novo governo Lula e enxergam mais chances de um ajuste nas contas públicas e consequente queda de juros com Flávio, o que beneficiaria ativos de renda variável.

Nomes da equipe econômica do candidato do PL também são bem recebidos pela Faria Lima, como a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e o ex-ministro de Minas e Energia na gestão de Jair Bolsonaro, Adolfo Sachsida.

Ao comparar esta eleição com a disputa de 2022, em que Lula recebeu votos de Simone Tebet (PSB) e Ciro Gomes (PSDB), economistas do UBS BB não projetam uma transferência devotos ao petista no segundo turno.

"Na ausência de um grande acontecimento político, é difícil, segundo nossa análise, visualizar um caminho para Lula vencer com um empate no primeiro turno, dado que a maioria dos candidatos restantes está posicionada no centro-direita", diz relatório assinado pelos economistas Alexandre de Azara, Rodrigo Martins e Fabio Ramos, divulgado na última sexta (2).

A composição do Senado mais à direita também é uma surpresa positiva para o mercado financeiro, dizem analistas.

"A composição do Congresso altera a percepção sobre governabilidade e capacidade de aprovação da agenda econômica a partir de 2027. Foi justamente um dos fatores que ajudaram a explicar a reação positiva do mercado após o primeiro turno de 2022", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

Os especialistas afirmam que a surpresa nas urnas deve prolongar o momento positivo da Bolsa. Na última semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,71%, o que analistas atribuem a uma antecipação de posições de olho no resultado eleitoral. O dólar subiu 0,62% e os juros de curto prazo caíram.

Quanto menor forem os juros, menos vantajoso fica o investimento em renda fixa, o que tende a aumentar o fluxo de aportes em ativos mais arriscados. O crédito tende a ficar mais barato, estimulando o consumo e investimentos e reduzindo o peso da dívida sobre as empresas. Com uma projeção menor de custos e maior de lucro à frente, aumenta o valor da companhia hoje.

Quando áudios entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro vazaram, em maio deste ano, o mercado reagiu negativamente, com o temor de investidores que isso levasse à derrota de Flávio nas urnas. No pregão seguinte à revelação, o dólar saltou 1,6% e a Bolsa caiu 0,6%. Naquele mês, estrangeiros tiraram R$ 13,3 bilhões do mercado acionário brasileiro.

VOLATILIDADE

O principal indicador de percepção de risco do mercado brasileiro registrou o segundo recorde seguido na sexta (2). O VIX Brasil fechou em 32,77 pontos, maior pontuação desde sua criação, em 2024. O recorde anterior, de 32,39 pontos, ocorreu na quinta (1).

Calculado a partir das opções sobre o Ibovespa B3, o VIX Brasil mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias. Na prática, funciona como um termômetro da percepção de risco do mercado – por isso, também é chamado de "índice do medo" – e costuma ser acompanhado por investidores, gestores e analistas em momentos de maior incerteza, sobretudo para estratégias de proteção de carteira e gestão de risco.

A Bolsa de Valores encerrou o último pregão antes do 1º turno das eleições, na sexta (2), com alta de 2,62%, aos 192.114 pontos. O índice não alcançava esse patamar desde 22 de abril, quando fechou aos 192.889 pontos. Segundo analistas, a alta foi impulsionada pelo posicionamento de investidores para a eleição. O dólar encerrou em queda de 0,13%, cotado a R$ 5,216.

Além disso, o viés positivo teve influência do exterior, com a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos, que mostraram a criação de 29 mil postos de trabalho em setembro, abaixo dos 90 mil projetados por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%. O dado de agosto foi revisado de 162 mil para 133 mil vagas.

Os dados reforçaram a percepção de desaceleração do mercado de trabalho americano, reduzindo a pressão sobre o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) para manter uma política monetária mais restritiva. Com isso, investidores passaram a considerar menos provável uma nova alta dos juros, favorecendo ativos de risco.

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