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Lula mira aumento na rejeição de Flávio Bolsonaro na reta final com pressão por abertura de sigilo

Lula mira aumento na rejeição de Flávio Bolsonaro na reta final com pressão por abertura de sigilo

Por Caio Spechoto e Mariana Brasil, Folhapress

21/10/2026 às 13:40

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

Imagem de Lula mira aumento na rejeição de Flávio Bolsonaro na reta final com pressão por abertura de sigilo

Petista tem tido dificuldade para aumentar a própria popularidade

O presidente Lula (PT) mira um aumento na rejeição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, ao martelar o desafio da abertura dos sigilos na reta final da disputa. O petista se comprometeu a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico de si mesmo e de pessoas físicas e jurídicas às quais é ligado caso o senador faça o mesmo.

A proposta de Lula foi lançada no último domingo (18), durante o debate da TV Band. A campanha do presidente da República avalia que, ao não aceitar o desafio, Flávio se desgastou junto ao eleitorado. A tática deverá ser repetida no debate da Globo, o de maior audiência, marcado para dois dias antes da votação. Aliados de Lula acreditam que o senador não aceitará abrir os sigilos.

O presidente da República tem tido dificuldades para incrementar a própria popularidade, por isso precisa aumentar a rejeição do adversário para ganhar a eleição. Lula terminou o primeiro turno com cerca de 45% dos votos válidos, atrás dos 47% de Flávio Bolsonaro. Desde 1988, quando o segundo turno foi instituído no Brasil, nunca um candidato a presidente que terminou a primeira votação como segundo colocado conseguiu virar na etapa decisiva.

Na terça-feira (20), Lula entregou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um documento assinado em que formaliza o desafio ao adversário. "Em toda eleição inventam alguma coisa contra a minha família e resolvi não ficar quieto. Esta é a minha última disputa eleitoral, e eu não posso deixar que um ladrão tente jogar a minha biografia no lixo", declarou o presidente na segunda-feira (19), em Porto Alegre.

Na terça, um dos porta-vozes da campanha de Lula, o senador Camilo Santana (PT-CE), disse ter em mãos as procurações dos filhos e netos maiores de 18 anos do presidente em que autorizam a abertura de seus sigilos.

Questionado sobre por que não abrir o sigilo independentemente de Flávio, o ex-ministro respondeu que a proposta é um desafio lançado contra o adversário. "Se o presidente devesse alguma coisa não estava fazendo isso. Faz isso quem não deve nada a ninguém."

A relatoria da abertura do sigilo no TSE coube ao ministro André Mendonça. "Que ele possa agir com imparcialidade", disse Camilo. O porta-voz também foi questionado se Lula também abrirá o sigilo do cartão corporativo do governo. Ele afirmou não ver problema, mas disse que não conversou sobre essa possibilidade com Lula.

No mesmo dia, o presidente disse, durante passagem por Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), que só iria ao debate se Flávio também abrisse o sigilo.

"Se ele apresentar o documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate. Porque se não, ele não pode ir no debate porque o presidente da República não pode debater com ladrão", disse.

Antes do evento, o presidente havia dito que Flávio não teria coragem de abrir os dados. "Nem [o sigilo] telefônico nem a conta bancária, e não vai ter coragem de abrir nem como pessoa física nem como pessoa jurídica, porque ele sabe que a vida dele é podre em se tratando de honestidade."

No documento em que formaliza a proposta ao TSE, Lula diz que, além do próprio sigilo, divulgará informações de sua mulher, Rosângela Lula da Silva, a Janja; e de seus filhos Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva.

O chefe do governo também incluiu na lista de abertura de sigilos a L.I.L.S., empresa de palestras que, de acordo com o documento, é a única da qual o petista é sócio.

A proposta do petista é que, do lado de Flávio, sejam abertos os sigilos do próprio senador; de seu pai, Jair Bolsonaro; de sua mãe, Rogéria Bolsonaro; de seus irmãos Carlos Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro; e de sua mulher, Fernanda Bolsonaro. Também inclui cinco empresas com as quais o candidato do PL teria relação.

O documento em que Lula formaliza o desafio afirma que a abertura dos dados precisaria ser feita até esta quarta-feira (21). "[A medida até esta data] é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar", afirma o texto.

 

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