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‘Divórcio grisalho’ cresce 177% na Bahia e marca novo momento para mulheres 50+, aponta especialista
‘Divórcio grisalho’ cresce 177% na Bahia e marca novo momento para mulheres 50+, aponta especialista
Por Redação
13/10/2026 às 08:40
Foto: Divulgação
Alice Lacerda
O fim de um casamento depois dos 50 anos, o chamado “divórcio grisalho”, pode representar não apenas o encerramento de um ciclo, mas também o início de uma nova fase. Na Bahia, 23,2% dos divórcios ocorridos em 2024 foram entre ex-cônjuges que tinham 50 anos ou mais, segundo o IBGE. Em números absolutos, foram 6.328 dissoluções, um crescimento de 177% nos últimos 15 anos. Segundo especialista, o recomeço, sobretudo para mulheres 50+, passa pela reconstrução das relações sociais e pelo fortalecimento da autonomia.
Para a psicoterapeuta Alice Lacerda, idealizadora do projeto Mulheres que Inspiram, o impacto da separação na maturidade vai muito além das questões patrimoniais. “O principal impacto do divórcio grisalho na vida das mulheres vai muito além da divisão de bens. Trata-se de uma profunda crise de identidade. Muitas vezes, o fim do casamento após os 50 ou 60 anos coincide com a menopausa e a síndrome do ninho vazio”, explica.
“É uma mulher que passou a juventude dizendo sim para as demandas da família e não para si mesma e que, de repente, se vê diante da necessidade de reconstruir sua própria identidade”, alerta a especialista.
Dados do IBGE revelam que, no Brasil, em 2024, um em cada cinco divórcios envolveu ex-cônjuges que tinham 50 anos ou mais (21,3%). O percentual foi ainda maior na Bahia (23,2%) e em Salvador (23,4%). Nos últimos 15 anos, o número de divórcios entre pessoas mais velhas chegou a quase triplicar no país e no estado e a quase dobrar na capital baiana.
Em números absolutos, foram 91.386 divórcios desse grupo no país em 2024, contra 33.081 em 2009. Na Bahia, passaram de 2.283 para 6.328, enquanto, em Salvador, foram de 643 para 1.283.
Segundo Alice Lacerda, o recomeço após o divórcio grisalho passa pela reconstrução das relações sociais e pelo fortalecimento da autonomia. Em projetos voltados para mulheres 50+, como Mulheres que Inspiram, Lar Harmonia, Casa de Oração Bezerra de Menezes e ações realizadas em escolas, ela tem acompanhado de perto essas transformações.
“O antídoto para essa dor é a sororidade e a autonomia. Desistir não é opção. O divórcio grisalho pode ser o encerramento de um longo ciclo, mas também o início da temporada mais livre e independente dessa mulher. Para isso, é preciso recriar pontes de amizade, cuidar da inteligência financeira e se permitir ser a atriz principal da própria história”, orienta.
A mudança, de acordo com a psicoterapeuta, também acompanha o aumento da longevidade. Com mais anos de vida pela frente, a maturidade passa a ser vista menos como uma etapa de encerramento e mais como um período de novas escolhas, inclusive na vida afetiva.
Para Alice, esse movimento não significa romantizar a separação, mas reconhecer que idade não deve ser sinônimo de renúncia aos próprios projetos: “Depois dos 50, ainda existe muito futuro pela frente. E essa mulher precisa se dar permissão para viver esse futuro com protagonismo, autonomia e felicidade”.
