'Desastre foi para a Globo', diz Lula após cancelamento de debate
Emissora disse que decisões judiciais interferiram em regras acordas por todos os partidos
Por Bruna Fantti/Yuri Eiras/Folhapress
02/10/2026 às 18:00
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula durante caminhada no centro do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (2)
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (2) que sua decisão de não ir ao debate entre presidenciáveis da TV Globo foi um "desastre" para a emissora.
A Globo cancelou o debate na noite desta quinta (1°), poucas horas antes do horário programado. Lula comunicou na quarta (30) à emissora que não iria ao evento e daria entrevista ao Flow Podcast.
"Se, para alguns, parecia um desastre minha não ida ao debate da Globo, o desastre foi para a Globo. Ela ontem descobriu que não é dona de tudo. Descobriu que é importante respeitar as pessoas", afirmou.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desistiu de participar do confronto já na quinta, poucas horas antes do debate, após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes determinar a participação de Renan Santos (Missão) e a ministra do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Estela Aranha proibir a exibição do púlpito de Lula vazio.
"A Globo até agora está pensando no que aconteceu, que o Lula não veio no debate, e o podcast que eu participei teve mais audiência do que a novela. Uma demonstração de que, se a gente tiver coragem e determinação, a gente não é manipulado pelos meios de comunicação", disse o presidente, durante caminhada no centro do Rio de Janeiro, da Candelária até a Cinelândia, percurso marcado por protestos tradicionais da esquerda, como manifestações pelas Diretas Já e comícios de Lula em eleições anteriores.
Na manhã desta sexta, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que Lula nunca disse que iria a debates no 1° turno. "Não sei qual a surpresa", afirmou.
Ele disse, no entanto, que o presidente deve participar de debates eleitorais num eventual 2º turno.
Em nota divulgada na noite de quinta-feira, a Globo atribuiu o cancelamento às decisões judiciais que interferiram nas regras previamente acordadas por todos os partidos, inclusive o PT.
Combate à abstenção
Além da presença no debate, o candidato focou o combate à abstenção de idosos. Ele pediu à militância que convença eleitores de mais de 70 anos a irem às urnas no domingo (4).
O presidente falou em "matar a desgraça" no primeiro turno, repetiu que seu governo foi responsável por descobrir fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do banco Master e fez ataques a Flávio Bolsonaro, mencionando a defesa que o senador fez, como advogado, a um policial militar carioca acusado de atirar numa criança, em 2021.
Um vídeo com detalhes do caso, gravado pela atriz Camila Pitanga, viralizou nas redes sociais.
"Não há por que ter segundo turno se a gente pode matar a desgraça no primeiro turno. É domingo que a gente vai ganhar as eleições, por isso é importante a dedicação dos nossos militantes", disse.
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta indica que Lula tem 45% das intenções em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, ante 40% de Flávio Bolsonaro.
Lula participou de carreata com os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT-RJ) e Pedro Paulo (PSD-RJ), além do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), e de Niterói, Rodrigo Neves (PDT).
Diante da aglomeração formada em torno do presidente, a primeira fala de Lula ao público foi para que os participantes mantivessem a ordem durante o percurso. Um vidro do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que passa pela avenida Rio Branco, onde ocorreu o cortejo, quebrou no empurra-empurra.
"Não faz sentido a caminhada da vitória ter acidentes", disse. "Vamos ter calma. Quem não precisa ter calma é do lado de lá oposição. Nós descobrimos a fraude do INSS e a fraude do Vorcaro. São eles que não terão paz", sustentou.
A primeira-dama, Janja da Silva, e a candidata do PT ao Senado pelo Rio, Benedita da Silva, que acompanhavam o presidente, reforçaram o discurso.
Caminhadas às vésperas da eleição são habitualmente tentativas das campanhas de tangenciar o artigo do Código Eleitoral que proíbe comícios nas 48 horas anteriores à eleição.
Nesta sexta, a agenda de Flávio Bolsonaro prevê participação no autointitulado "bloquinho", uma caminhada liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em Montes Claros (MG). Lula também irá para Minas Gerais.
Lula também faz caminhada no sábado (3), véspera do primeiro turno, na avenida Paulista, em São Paulo.
