Home
/
Noticias
/
Economia
/
Daniella Marques é cotada para comandar área social em eventual governo Flávio Bolsonaro
Daniella Marques é cotada para comandar área social em eventual governo Flávio Bolsonaro
Por Adriana Fernandes, Luany Galdeano e Idiana Tomazelli, Folhapress
06/10/2026 às 14:30
Atualizado em 06/10/2026 às 17:18
Porta-voz econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques
Porta-voz econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques é cotada para comandar um ministério na área social em caso de vitória do candidato à Presidência da República no segundo turno das eleições deste ano.
Esse ministério social ampliado abarcaria também a pasta de mulheres, segundo pessoas que trabalham na campanha ouvidas pela Folha. São áreas das quais a colaboradora de Flávio se aproximou quando presidiu a Caixa Econômica Federal, no último ano do governo Jair Bolsonaro (PL).
Com esse arranjo, Marques ficaria de fora da disputa pelo comando do Ministério da Fazenda num eventual governo Flávio Bolsonaro, alimentando as apostas em torno de outros nomes para o cargo mais cobiçado da Esplanada.
Segundo integrantes da equipe de Flávio, Marques já não toca pautas econômicas no dia a dia da campanha, responsabilidade que ficou a cargo de Adolfo Sachsida, que foi secretário de Política Econômica no Ministério da Economia e também ministro de Minas e Energia no governo Jair Bolsonaro.
A interlocutores, ela já relatou que ficar responsável pela área social seria um bom caminho e um desafio. Ela aparece sempre ao lado de Flávio e ganhou espaço na campanha após as críticas feitas por Michelle Bolsonaro ao enteado, em junho deste ano.
Há a possibilidade de que esse ministério ampliado também fique responsável por algumas obras federais. Os detalhes continuam em discussão, mas Marques já tem se movimentado nos bastidores, buscando nomes inclusive na academia para dialogar.
Em recente edição do C-Level Entrevista, videocast da Folha, Marques antecipou que a equipe estuda a criação de um fundo a ser formado com imóveis da União para fortalecer programas sociais, tratar o problema do endividamento e promover a inclusão de pessoas de baixa renda.
Além de imóveis, o fundo teria créditos de dívida ativa da União, empresas estatais, contratos de petróleo da União que podem ser antecipados e outros recebíveis do governo.
A ideia é que um terço da realização desses ativos seja usado para servir de motor de ascensão das famílias. "São mais de R$ 5 trilhões em ativos", citou.
A proposta não é nova. O ex-ministro Paulo Guedes (Economia) chegou a propor o Fundo Brasil, cujo objetivo era utilizar recursos de privatizações e dividendos de estatais para pagar uma espécie de dividendo social aos beneficiários de programas de transferência de renda, bem como abater a dívida pública. A proposta não avançou.
Especulações
O favoritismo de Flávio no primeiro turno tem alimentado as especulações em torno de indicações de nomes para os ministros da área econômica no caso de vitória. Mas Flávio está sendo aconselhado a não anunciar a equipe antecipadamente.
A avaliação na campanha é que a divulgação de nomes, em meio à campanha, acabaria provocando um bombardeio em cima do indicado, como ocorreu após o anúncio do médico oftalmologista Claudio Lottenberg como futuro ministro da Saúde em caso de vitória.
Integrantes da equipe do senador avaliam que anunciar nomes de ministros antes do segundo turno também poderia gerar ruídos internos, já que há um amplo número de aliados do candidato querendo se lançar à Fazenda.
Há ainda o temor de que a discussão em torno de possíveis nomes poderia desviar esforços da campanha em si. Um dos interlocutores da equipe de Flávio disse à Folha que é preciso "ganhar primeiro as eleições" antes de falar em indicações.
Na campanha eleitoral de 2018, o ex-presidente Jair Bolsonaro antecipou o nome de Paulo Guedes, apelidado de "Posto Ipiranga", para comandar o Ministério da Economia. O anúncio era uma tentativa de angariar apoio, minimizar as desconfianças do mercado financeiro e sinalizar compromisso com uma agenda de viés liberal —que acabou perdendo espaço na reta final da gestão, à medida que as eleições se aproximaram e o risco de revés aumentou.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu ao pedido de informações da reportagem sobre possíveis nomes para a área econômica, nem comentou se Daniella Marques pode assumir a área social de um eventual governo.
Possíveis nomes
Para a Fazenda, estão entre os cotados o financista Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse; Mansueto Almeida, ex-secretário do Tesouro Nacional e hoje economista-chefe do BTG Pactual; e Alexandre Bettamio, do Bank of America. O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também aparece entre as apostas.
No mercado financeiro, o nome de Sachsida é citado para o Ministério do Planejamento, mas pessoas próximas ao economista, que é também advogado de Jair Bolsonaro, afirmam que ele teria o sonho de chefiar a Fazenda.
Segundo interlocutores, a equipe de Flávio também tem buscado a ajuda de técnicos que integraram o governo de seu pai para compor a equipe em caso de vitória no segundo turno.
