Home
/
Noticias
/
Exclusivas
/
Após naufrágio de Geraldo Júnior, PT mira renovação e quatro mulheres despontam para disputar Salvador em 2028
Após naufrágio de Geraldo Júnior, PT mira renovação e quatro mulheres despontam para disputar Salvador em 2028
Por Política Livre
08/10/2026 às 09:10
Foto: Reprodução
Maria Marighella, Olívia Santana, Rowena Brito e Vilma Reis
O PT aposta na renovação política para definir quem representará o partido na disputa pela Prefeitura de Salvador em 2028. Depois do fracasso eleitoral do vice-governador Geraldo Júnior (MDB), em 2024, a legenda busca um nome capaz de enfrentar o grupo político liderado pelo prefeito Bruno Reis (União) e por seu antecessor, ACM Neto (União). Entre as alternativas que começam a ganhar espaço estão três petistas e uma comunista, todas mulheres e com trajetórias distintas na política baiana.
A necessidade de mudar a estratégia ficou evidente nas urnas há dois anos. Escolhido para encabeçar a chapa governista, com o apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Lula (PT), Geraldo Júnior protagonizou um verdadeiro naufrágio eleitoral. Terminou a disputa em terceiro lugar, com apenas 10,33% dos votos válidos, atrás até de Kleber Rosa (PSOL), que alcançou 10,43%. Bruno Reis, por sua vez, foi reeleito no primeiro turno com impressionantes 78,67%, deixando a oposição praticamente sem reação.
Com o fim da atual gestão de Bruno Reis, serão 16 anos consecutivos de governos do grupo político de ACM Neto na capital baiana. O desafio do PT, que nunca conseguiu eleger um prefeito de Salvador, será romper essa hegemonia. E o cenário não promete facilidades. Entre os nomes que podem surgir no campo governista estão a vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT), o deputado federal Léo Prates (Republicanos) e até o próprio ACM Neto.
Nas eleições deste ano, o PT saiu das urnas com três nomes que podem entrar no debate sucessório: as deputadas estaduais eleitas Rowenna Brito e Vilma Reis, além da deputada federal eleita Maria Marighella. Fora do partido, mas dentro da federação de esquerda, aparece a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB), que há anos defende maior protagonismo feminino nas disputas majoritárias.
Rowenna Brito - Ex-secretária estadual da Educação, Rowenna Brito é um dos nomes mais próximos politicamente do governador Jerônimo Rodrigues. Sua trajetória está ligada à área educacional e à gestão pública, tendo ocupado uma das pastas mais importantes do governo baiano. A eleição para a Assembleia Legislativa, com 137.266 votos, ampliou seu espaço político e lhe deu uma vitrine própria.
Rowenna não esconde o desejo de disputar a Prefeitura de Salvador. O principal obstáculo, porém, pode estar justamente no Palácio de Ondina. Embora tenha uma relação de confiança com Jerônimo, a eventual candidatura dependerá de uma articulação que ultrapassa os limites do PT.
Vilma Reis - Socióloga, ativista do movimento negro e defensora dos direitos humanos, Vilma Reis representa outra vertente do PT. Com trajetória construída nos movimentos sociais e no enfrentamento ao racismo, ela defende há anos que Salvador, cidade de população majoritariamente negra, tenha uma candidatura negra identificada com essa realidade.
Na eleição de 2020, Vilma chegou a colocar seu nome à disposição do partido, mas a articulação política conduzida pelo governo estadual terminou com a escolha de Geraldo Júnior. O resultado desastroso do emedebista, que sequer conseguiu superar o candidato do PSOL, pode servir agora como argumento para quem defendia uma alternativa petista.
A chegada de Vilma à Assembleia Legislativa acrescenta um novo elemento ao debate. Sua eventual candidatura permitiria ao PT apostar em uma liderança negra, feminina e com forte identidade com as pautas sociais da capital, embora ainda precise demonstrar capacidade de ampliar seu eleitorado para além dos segmentos em que já possui reconhecimento.
Maria Marighella - Eleita deputada federal neste domingo, Maria Marighella chega à discussão com uma trajetória que combina atuação cultural, experiência legislativa e passagem pelo governo Lula. Neta do militante comunista Carlos Marighella, ela foi vereadora de Salvador e deixou o mandato municipal para assumir a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura.
Atriz e produtora cultural, Maria construiu sua atuação política em torno da cultura, da democracia e dos direitos sociais. Sua eleição para a Câmara dos Deputados, com 108.418 votos, fortalece seu nome dentro do PT e amplia sua projeção política.
A ex-vereadora também representa uma renovação geracional na legenda. A passagem pelo governo federal e a experiência na Câmara Municipal podem funcionar como credenciais para uma eventual disputa em Salvador. Por outro lado, a eleição para um mandato de quatro anos em Brasília pode pesar na decisão de entrar, apenas dois anos depois, em uma nova campanha.
Olívia Santana - Entre as quatro mulheres, Olívia Santana é quem acumula uma das trajetórias mais longas na política soteropolitana. Deputada estadual pelo PCdoB, já foi vereadora de Salvador e secretária municipal de Educação e Cultura, além de ter ocupado cargos no governo estadual.
Olívia também conhece uma disputa pela Prefeitura. Em 2020, foi candidata pelo PCdoB e terminou a eleição em sexto lugar, com 4,49% dos votos válidos. Apesar do resultado, manteve presença no debate político da capital, sobretudo nas pautas relacionadas à educação, às mulheres e ao combate ao racismo.
Sua eventual candidatura, contudo, dependerá de uma negociação dentro da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A tendência é que os partidos procurem construir uma candidatura única, o que poderá colocar Olívia em concorrência direta com as três petistas.
A dois anos da eleição, nenhuma dessas alternativas está consolidada. O PT terá que decidir se aposta em uma liderança com forte ligação com o governador, em uma representante histórica do movimento negro, em um nome de projeção nacional ou em uma política experiente de um partido aliado.
Mais do que escolher uma candidata, o desafio será evitar a repetição de 2024, quando a força da máquina estadual e o apoio de Lula não foram suficientes para impedir uma derrota expressiva. A renovação pode ser o caminho, mas a experiência recente mostra que apenas reunir partidos e lideranças em torno de um nome não garante votos na capital baiana.
