Vitória da Conquista tem eleição acirrada e disputas entre aliados
Por Política Livre
27/09/2026 às 09:00
Atualizado em 27/09/2026 às 09:31
Foto: Divulgação
A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, e o marido Wagner Alves, candidato a deputado estadual
Terceiro maior colégio eleitoral da Bahia, Vitória da Conquista, no Sudoeste baiano, promete ter uma das disputas mais acirradas dos últimos anos. São cerca de 20 candidatos a deputado estadual e federal que brigam diretamente por votos no município. Com um colégio de 264.098 eleitores, a cidade também pode ter papel de protagonismo nas disputas pelo Governo da Bahia e pelo Senado.
Conquista tem atualmente três deputados estaduais que tentam a renovação do mandato: Zé Raimundo (PT), que já foi prefeito da cidade de 2002 a 2008; Fabrício Falcão (PCdoB), outro integrante da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT); e Tiago Correia (PSDB), líder da oposição na Assembleia Legislativa. Segundo estimativas feitas por lideranças locais, Zé Raimundo deve ser o mais votado para o Legislativo no município, como ocorreu em 2022, quando obteve mais de 32 mil votos.
Tiago Correia perdeu o apoio da prefeita da cidade, Sheila Lemos (União), com quem rompeu e que, na atual eleição, lançou o marido, Wagner Alves (União), como candidato à Assembleia. Com isso, o primeiro-cavalheiro deve ser o segundo mais votado no pleito no município, à frente de nomes como o ex-prefeito de Belo Campo Quinho Tigre (PSD), postulante a deputado estadual e casado com a vereadora de Conquista Leia de Quinho (PSD).
Mas o duelo em Vitória da Conquista não é apenas entre governo e oposição. Esposa de Aloisio Alan (Republicanos), vice-prefeito da cidade, a vereadora bolsonarista Lara Fernandes (Republicanos) também colocou o nome no bolo das candidaturas a deputada estadual e tem feito críticas contundentes à prefeita e a Wagner, em flagrante “fogo amigo”. As duas já romperam relações.
Para a Assembleia, Vitória da Conquista tem outros nomes que fazem política no município ou possuem ligação com a cidade, a exemplo do deputado estadual Vitor Azevedo (Avante), que tem o apoio do presidente da Câmara de Vereadores, Ivan Cordeiro (PL); do advogado Marcos Adriano (PDT), que disputou a Prefeitura em 2024; e de Luzinete Oliveira (PSB), que tem histórico em pleitos locais. Isso só para citar alguns dos postulantes
Câmara Federal - O cenário da disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados tem mais de dez candidatos que fazem política em Vitória da Conquista ou nasceram na cidade. Segundo estimativas de lideranças locais, Waldenor Pereira (PT) pode novamente ser o mais votado. Em 2022, o deputado federal recebeu 32.071 votos em Conquista, fazendo dobradinha com Zé Raimundo (PT).

Entre os outros nomes que disputam espaço no eleitorado conquistense estão a ex-vereadora Lúcia Rocha (MDB) e Carlos Muniz Filho (PSDB), filho do presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), que conta com o apoio de Ivan Cordeiro.
Do lado da prefeita Sheila Lemos, foram construídas alianças com diversos postulantes a deputado federal. Um dos nomes locais é o Capitão Luís Vasconcelos (União), militar da reserva. Também fazem dobradinha com Wagner Alves o deputado federal Leo Prates (Republicanos) e o deputado estadual Robinho (União), que neste ano concorre à Câmara.
Outro nome colocado na disputa, embora ainda dependa de uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral, é o vereador Diogo Azevedo (PSDB), o mais votado em 2024 e lançado candidato a deputado federal em meio à aproximação com o grupo tucano, que rompeu com Sheila. A candidatura do edil está sub judice em razão da discussão envolvendo sua mudança partidária (ele deixou o União Brasil fora do prazo permitido).
Há outras candidaturas a deputado federal relevantes em Conquista, a exemplo de Lucas Reis (PT), que foi chefe de gabinete do senador Jaques Wagner (PT). O petista tem o apoio do vereador Alexandre Xandó (PT), que recebeu 18.230 votos no pleito de 2022 para a Câmara dos Deputados, ficando entre os nomes mais votados no município.
O deputado federal Jorge Solla (PT) é outro que faz política na cidade, assim como também aparecem com base local Delegada Gabriela (PV), Danillo Kiribamba (Avante), Augusto Cândido (Novo) e Coronel Esmeraldino (PSDB).
Governo da Bahia - Nas eleições de 2022, ACM Neto (União) venceu para governador nos dois turnos em Vitória da Conquista. Ele recebeu 119.665 votos (59,05% do total da cidade). Seu adversário, Jerônimo Rodrigues, que acabou eleito, teve a preferência de 40,95% dos eleitores e registrou 82.995 votos.

Para o Senado, entretanto, o senador Otto Alencar (PSD) venceu com folga o oponente Cacá Leão (PP), que este ano concorre a deputado federal. O pessedista registrou 47,96% da preferência em Conquista, contra apenas 25,33% do pepista. Terceira colocada na época, a bolsonarista Raissa Soares (PL), recebeu 24,52% da votação. No pleito deste ano, entretanto, o PL apoia ACM Neto.
Apesar das disputas locais e dos diferentes arranjos montados pelos candidatos a deputado estadual e federal, a expectativa entre lideranças do grupo da Prefeitura é que essas divergências não sejam levadas para a eleição majoritária. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), já defendeu que as diferenças entre aliados nas disputas proporcionais sejam deixadas de lado na corrida pelo governo.
Situação semelhante ocorre no campo governista, onde há menos brigas públicas entre os postulantes. A base de Jerônimo Rodrigues reúne em Conquista candidatos que disputam entre si os votos para a Assembleia e a Câmara Federal, mas convergem no apoio à chapa majoritária. Assim, enquanto aliados travam suas próprias batalhas pelo eleitorado local, os dois principais grupos políticos tentam evitar que essas divisões contaminem a disputa pelo governo e pelo Senado.
