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TSE tem maioria para livrar Flávio de multa por vídeo de Bolsonaro criado com IA

TSE tem maioria para livrar Flávio de multa por vídeo de Bolsonaro criado com IA

Kassio, Mendonça, Toffoli e Antonio Carlos vêem manifestação de apoio sem pedido explícito de voto

Por Ana Pompeu/Folhapress

01/09/2026 às 22:15

Atualizado em 01/09/2026 às 22:18

Foto: Luiz Roberto/TSE/Arquivo

Imagem de TSE tem maioria para livrar Flávio de multa por vídeo de Bolsonaro criado com IA

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) formou maioria para livrar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, de punição pelo uso do avatar de Jair Bolsonaro (PL) feito com inteligência artificial na convenção do partido, em julho. Ainda, a corte definiu que a vedação a esse tipo de ferramenta ocorra quando houver propaganda antecipada.

O plenário do TSE julga nesta terça-feira (1°) o tema e discute uma tese sobre as punições por uso de deepfakes no período da campanha.

Votaram nesse sentido o presidente da corte eleitoral, Kassio Nunes Marques, e os ministros André Mendonça, Dias Toffoli e Antonio Carlos. Pelo entendimento majoritário, não há a necessidade de multa ou de remoção do conteúdo gerado depois do evento.

Ao citar a fala do avatar de Bolsonaro na convenção do PL, Kassio afirmou que o ex-presidente produzido por inteligência artificial não chama diretamente o eleitorado a votar no filho.

"A expressão não contém pedido de votos. A conclusão não se altera pela frase de encerramento, embora faça referência ao cargo almejado, não conclama os cidadãos. A discussão é juridicamente relevante porque a legislação permite a manifestação de apoio", disse o relator.

Uma resolução de propaganda do TSE deste ano proíbe o uso do deepfake para prejudicar ou favorecer candidatura, mesmo mediante autorização da pessoa reproduzida no vídeo.

O descumprimento da proibição ao uso de deepfake pode configurar, segundo a legislação, abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação social, acarretando a cassação do registro.

Kassio havia indicado que poderia defender a liberação do uso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, indagado sobre o caso, ele afirmou que usar IA para fazer campanha "é lícito, o que não pode é usar para prejudicar alguém".

Mas, segundo relatos, Kassio passou a ponderar se uma liberação de deepfakes "do bem" poderia ter implicações graves, como o excesso de judicialização.

Durante a sessão, o ministro voltou a questionar colegas que divergiram sobre casos em que o uso desse tipo de ferramenta não provocaria impacto eleitoral.

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