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Protesto em Nova York projeta Flávio Bolsonaro entregando faixa presidencial a Trump
Protesto em Nova York projeta Flávio Bolsonaro entregando faixa presidencial a Trump
Por Folhapress
22/09/2026 às 09:59
Foto: Choose Democracy/Divulgação
O protesto, feito pela organização Choose Democracy, em aliança com ativistas brasileiros, ocorreu em diferentes locais da cidade
Na madrugada desta terça-feira (22), horas antes do início da sessão de discursos da 81ª Assembleia Geral da ONU, manifestantes projetaram em Nova York imagens geradas artificialmente do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entregando a faixa presidencial do Brasil ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O protesto, feito pela organização Choose Democracy, em aliança com ativistas brasileiros, ocorreu em diferentes locais da cidade, como a ponte do Brooklyn e a torre de ventilação do Holland Tunnel.
Os organizadores questionam a ideia de que o futuro político do país possa ser decidido com participação ou influência de autoridades estrangeiras.
"Democracia não é apenas sobre quem ocupa um cargo. Diz respeito a quem tem o direito de decidir o futuro de um país. Quando esse direito está sob risco de ser comprometido pela interferência de uma potência estrangeira, o povo tem todo o direito de dizer: quem manda no nosso país somos nós", diz Daniel Hunter, da Choose Democracy.
Os manifestantes afirmam que a intervenção tem por objetivo colocar em pauta, para a imprensa internacional e os participantes da Assembleia Geral da ONU, o debate sobre soberania política e interferência estrangeira no Brasil, às vésperas das eleições presidenciais.
Em seu site oficial, a Choose Democracy se apresenta como uma organização que começou de forma voluntária após Trump, meses antes das eleições de 2020, sinalizar que rejeitaria resultados eleitorais desfavoráveis —o republicano perdeu o pleito daquele ano para o democrata Joe Biden.
A queixa dos ativistas está em linha com a campanha do presidente Lula (PT), que tenta a reeleição. O petista tem feito uma série de discursos em defesa da não interferência estrangeira em assuntos domésticos de outros países e deve fazer o mesmo em sua fala na 81ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22).
As afirmações de Lula são lidas como um recado a Trump, em um momento em que o governo brasileiro teme que os Estados Unidos atuem para beneficiar Flávio Bolsonaro, provável adversário do petista em um segundo turno na corrida pela Presidência.
Na semana passada, em um ato em Ceilândia, região administrativa mais populosa do Distrito Federal, Lula disse: "Domingo, às 10h, pego um avião e vou para reunião da ONU para ter um bate-papo com Trump e dizer: não se meta nas eleições do Brasil." O presidente, em diferentes ocasiões, já defendeu o sistema eleitoral brasileiro, inclusive durante uma conversa por telefone com o republicano no fim de agosto.
Nesta segunda-feira (21), o brasileiro concedeu entrevista ao programa de Christiane Amanpour, da rede CNN, e voltou a criticar os ataques americanos à soberania nacional.
O presidente afirmou que Trump "tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não tem direito de governar outros países". "[Trump] não tem direito de impor suas vontades, tem que ter vontade de negociar. Quero respeito e ser respeitado", disse.
Lula também tem criticado a imposição unilateral de barreiras tarifárias, sem necessariamente transformar a fala em um ataque direto ao governo americano.
A intenção, segundo analistas familiarizados com o tema, é encontrar um equilíbrio: Lula se concentra em apresentar uma defesa enfática da autonomia brasileira, mas evita um confronto que prejudique a tentativa de melhorar as relações com Washington.
Na última semana, Trump não citou seu homólogo ao afirmar que mantém uma "boa relação" com o Brasil e disse ter ajudado a eleger líderes na América Latina diante do avanço da direita na região.
A possibilidade de o governo Trump anunciar novas medidas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a passagem de Lula por Nova York também não é descartada pelo governo brasileiro.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro —irmão de Flávio— e o empresário Paulo Figueiredo estiveram em Washington para reuniões com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado, responsável pelas relações internacionais do país.
A dupla aproveitou a viagem para fazer pressão para que o governo Trump retome sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e também estenda as medidas aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes.
