Mulheres terão papel decisivo nas eleições, destaca Ireuda Silva
Por Redação
16/09/2026 às 09:49
Foto: Divulgação/Arquivo
Ireuda Silva
As mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro nas eleições de 2026, mas ainda enfrentam uma realidade de baixa presença nos espaços de decisão política. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 83,9 milhões de mulheres estão aptas a votar neste ano, o equivalente a 52,84% do eleitorado nacional. Para a vereadora Ireuda Silva (Republicanos)x, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador, o cenário revela uma contradição que precisa ser enfrentada: embora tenham força numérica para influenciar diretamente os rumos do país pelas urnas, as mulheres ainda não ocupam, na mesma proporção, os espaços onde essas decisões são tomadas.
Na avaliação da vereadora, a participação feminina nas eleições precisa ser observada em duas dimensões. De um lado, está o poder do voto, já que as mulheres são maioria entre os brasileiros habilitados a escolher seus representantes. De outro, está a necessidade de ampliar a presença feminina entre as próprias candidaturas e nos cargos eletivos. “As mulheres têm uma força enorme nas urnas. Somos maioria entre os eleitores e temos, portanto, uma responsabilidade muito grande na definição dos rumos do Brasil. Mas existe uma contradição: somos maioria para votar e ainda somos minoria nos espaços onde as decisões políticas são tomadas”, afirmou.
Ireuda defende que essa diferença deve estimular as mulheres a participarem cada vez mais da política, tanto como eleitoras quanto como candidatas e lideranças. Segundo ela, a representatividade interfere diretamente na construção de políticas públicas, uma vez que temas relacionados à violência contra a mulher, saúde, educação, geração de renda, maternidade, igualdade e proteção social dependem de decisões tomadas nas diferentes esferas de poder. “Quando uma mulher participa da política, ela também leva para esse espaço experiências e demandas que muitas vezes foram historicamente invisibilizadas. Precisamos de mulheres votando, mas também de mulheres disputando eleições, ocupando mandatos e participando da formulação das políticas públicas”, destacou.
O crescimento do eleitorado feminino também reforça o peso que as mulheres terão na disputa deste ano. O número de eleitoras cresceu 1,83% em relação às eleições gerais de 2022, enquanto o eleitorado masculino aumentou 1,08% no mesmo período. Para a vereadora, os números mostram que o voto feminino não pode ser tratado apenas como um segmento eleitoral a ser conquistado durante a campanha, mas como uma força permanente de participação cidadã.
“Não basta lembrar das mulheres apenas quando chega a eleição. É preciso ouvir as mulheres antes, durante e depois do processo eleitoral. O voto é uma ferramenta de transformação, mas a participação política precisa continuar depois das urnas, com fiscalização, cobrança e presença nos espaços de poder”, afirmou.
