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Mendonça atropela rito para beneficiar Flávio Bolsonaro e abrir porta do inferno ao STF, dizem ministros

Mendonça atropela rito para beneficiar Flávio Bolsonaro e abrir porta do inferno ao STF, dizem ministros

Magistrado teria riscado fósforo em tanque de combustível, em ato de consequências imprevisíveis para a Corte, afirma colega

Por Mônica Bergamo/Folhapress

01/09/2026 às 20:00

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Imagem de Mendonça atropela rito para beneficiar Flávio Bolsonaro e abrir porta do inferno ao STF, dizem ministros

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal)

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) fizeram duras análises sobre a atuação de André Mendonça na obtenção e divulgação de mensagens constrangedoras para Alexandre de Moraes. Nesta terça (1º), o magistrado levantou o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que mostra uma troca de mensagens intensa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes.

Entre outras coisas, elas sugerem que os dois se encontraram antes de o ex-banqueiro ser preso e que mantinham uma agenda de reuniões frequentes.

Nesses encontros, Moraes se comprometeria até mesmo em dar "um aperto" em autoridades para favorecer o Banco Master, que contratou o escritório da mulher dele, Viviane Barci de Moraes, por R$ 131,2 milhões para um trabalho de compliance.

Na avaliação de colegas de ambos, Mendonça está certo de não encobrir eventuais irregularidades de Moraes.

O método que ele usou para obter as mensagens, o momento em que decidiu avançar contra o colega e a divulgação das informações, no entanto, são "altamente questionáveis", na opinião de um ministro ouvido pela coluna.

"Todos aqui tocam investigações, e há sempre um respeito por rito e forma, que ele não seguiu nesse caso", diz.

Para esse mesmo magistrado, é "óbvio" que o resultado da avalanche de reportagens feitas sobre o caso beneficia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a eleição presidencial.

O filho de Jair Bolsonaro já afirmou em nota que Moraes deveria renunciar ao cargo.

O momento, portanto, seria o pior possível, e não haveria justificativa para que Mendonça tomasse a iniciativa agora.

"O STF, que já estava dentro do cenário eleitoral enfrentando certa má vontade da população, entra no furacão de vez", afirma um ministro. "Ele riscou o palito de fósforo dentro do tanque de combustível. Abriu as portas do Supremo para o inferno, e ninguém sabe as consequências disso", segue o magistrado, referindo-se à possibilidade de um possível impeachment futuro de mais de um integrante do STF.

O mesmo magistrado diz acreditar que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, Mendonça se tornaria uma das pessoas mais poderosas do Brasil, por quem passariam as indicações de pelo menos três futuros ministros do STF, para vagas que serão abertas no próximo governo pela aposentadoria de alguns de seus integrantes.

O método usado por Mendonça também é criticado.

Pela jurisprudência do STF, um ministro do Supremo só poderia ser investigado depois de um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). A petição de Mendonça em que pede à PF um relatório sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes, no entanto, foi feita de ofício, ou seja, por ele mesmo.

Um dos magistrados ouvidos pela coluna afirma que o relatório gerado a pedido de Mendonça é já uma investigação, feita, portanto, sem o necessário pedido da Procuradoria. E seria um ato nulo.

A terceira questão é o vazamento das mensagens.

Antes mesmo do levantamento do sigilo, órgãos de imprensa tiveram acesso a elas.

Na sequência, Mendonça permitiu o acesso a todo e qualquer cidadão. "É correto um juiz vazar as coisas para atingir um investigado? Ainda mais sendo um colega?", questiona um segundo ministro da Corte.

Comentários
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2 Comentários

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Nilson

01/09/2026

21:20

QUEM FAZ AQUI, PAGA AQUI...
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Kleber Rodrigues

01/09/2026

19:52

Finalmente alguém com coragem para expor a realidade sobre esse ministro "defensor da democracia".
Só o que esse caso mostra, eu fico a pensar: Se todos os ministros fossem investigados à fundo, o que ocorreria com o STF?
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