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Lula tenta se afastar de STF e Moraes, e Flávio Bolsonaro busca carimbar crise no governo
Lula tenta se afastar de STF e Moraes, e Flávio Bolsonaro busca carimbar crise no governo
Por Catia Seabra , Caio Spechoto , Mariana Brasil e Juliana Arreguy/Fohapress
16/09/2026 às 07:21
Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo/PR
O presidente Lula
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, buscou se descolar da crise de imagem do STF (Supremo Tribunal Federal) e de Alexandre de Moraes no dia da sessão inédita da corte para avaliar a abertura de investigação contra o ministro desgastado pelo escândalo do Banco Master.
Já o principal adversário do petista, o senador Flávio Bolsonaro (PL), reforçou a tentava de carimbar a crise do Supremo na figura de Lula e seu governo.
Em entrevista à Record nesta terça (15), Lula acusou o ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro (PL), de vazamento seletivo nas investigações, mas buscou se dissociar do Judiciário dizendo que "a Suprema Corte precisa ser exemplo e não contribuir com a desconfiança da sociedade".
Lula disse que "quem fez tem que ser punido, julgado" e que "não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade". "A instância máxima da Justiça brasileira precisa ser exemplo. Então que se apure com todo o rigor, abra-se o sigilo de telefone de todo mundo."
"Aquilo que o André Mendonça tinha guardado como segredo de Estado e só soltando o que interessava a ele, agora pode ser aberto para toda a sociedade saber quem tava metido nisso. [Saber] por que o [Dias] Toffoli não votou, por que que o Kassio [Nunes Marques] não votou, quem participou dessa trama do Vorcaro", disse Lula.
Aliados de Lula alimentavam a expectativa de que ele endurecesse o tom, embora sem ataques do petista contra Moraes. Ainda há pessoas no entorno do chefe de governo que defendem o ministro, mas a avaliação é a de que é necessário reduzir o desgaste do presidente da República.
Esses auxiliares de Lula manifestaram, sob reserva, contrariedade com a sessão do STF desta terça. Na avaliação de petistas, os ministros estavam mais interessados em preservar seus cargos em vez da instituição.
Questionado sobre o mal-estar com a crise no STF, o advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, disse que, apesar do reconhecimento pelo papel constitucional de Moraes em defesa da democracia após os ataques do 8 de Janeiro, isso não lhe dava direito de não se explicar.
"Reconheço o papel do ministro Alexandre de Moraes no cumprimento da obrigação constitucional da defesa da democracia. Mas isso não é um salvo-conduto."
Interlocutores de Lula lamentavam, sob reserva, a dificuldade de deixar claro que Moraes não foi indicado por Lula para o tribunal, mas por Michel Temer, a quem petistas chamam de golpistas. Eles estavam particularmente incomodados com a exploração que o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, faz da crise.
O candidato do PL busca aproveitar que o assunto está em alta no debate público para aumentar o desgaste de Lula.
Nesta terça, Flávio levou à televisão um programa eleitoral na TV em forma de pronunciamento, no qual diz estar interrompendo a campanha "diante da gravidade de tudo o que está acontecendo". O vídeo também foi reproduzido nas redes sociais. A peça busca colar a imagem de Lula à de Moraes.
"O atual governo criou um desequilíbrio institucional, decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal que descumpriu a lei. Não é à toa que isso tudo está acontecendo, é porque o atual governo faz parte desse sistema que está apodrecido", afirmou Flávio.
"O atual presidente dividiu o seu poder com Alexandre de Moraes, e no fim o Brasil ficou sem presidente nenhum. Sem comando", declarou o candidato a presidente.
Flávio é investigado no caso Master. De acordo com uma mensagem de celular encontrada pela PF, ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para concluir o filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
Outros candidatos
O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, disse nesta terça que há uma "degradação moral completa" no país e que o STF está em fase procrastinatória, ou seja, adiando a análise do mérito. Ele defendeu que Moraes seja investigado e criticou o que chamou de inação do Legislativo.
"A Câmara e o Senado se calam diante de uma situação como essa, é um momento em que você vê a irresponsabilidade e a imoralidade alcançando a vida política e jurídica, e levando à deterioração da democracia brasileira", declarou ele em Aparecida de Goiânia (GO).
Romeu Zema (Novo) promoveu um ato na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, contra Moraes e o STF. Ele defendeu o impeachment de ministros do Supremo. "Nós vamos ter um inquérito aberto contra um ministro do Supremo. Espero que seja apenas o primeiro, porque sabemos que tem mais frutas podres. E espero que um queira investigar o outro, estamos vendo que a podridão está aflorando", disse Zema.
Candidato do Missão, Renan Santos fez uma live após o fim da sessão no qual apareceu comendo pizza para ironizar o pedido de vista feito por Flávio Dino. Ele criticou Kassio Nunes Marques por ter deixado a sessão após se declarar impedido e disse que o ministro é "fruto da fraqueza de Jair Bolsonaro" por não ter indicado um nome "forte e independente" que poderia ter enquadrado Moraes.
"Não está tendo debate presidencial, porque esse foi o debate presidencial", disse. "Flávio e Lula não estão indo aos debates porque os representantes deles estavam fazendo um debate", acrescentou.
Augusto Cury (Avante), após conversar com eleitores na avenida Paulista, em São Paulo, cobrou agilidade, transparência e discrição dos ministros. "Não adiem esse julgamento, porque se vocês o fizerem, vocês não vão dar condições para os eleitores analisarem em quem vão votar no dia 4 de outubro", disse ele.
